100 anos da Plataforma Organizacional
“É hora do anarquismo sair do pântano da desorganização, pôr fim às intermináveis vacilações nas questões teóricas e táticas mais importantes, tomar resolutamente o caminho do objetivo clara e conscientemente concebido e de uma prática coletiva organizada.
“Prevemos que vários representantes do assim chamado individualismo e do anarquismo caótico nos atacarão, espumando, e nos acusarão de ter rompido com os princípios anarquistas. Contudo, sabemos o que os elementos individualistas e caóticos compreendem por “princípios anarquistas”: o desleixo, a libertinagem e a irresponsabilidade, os quais provocaram em nosso movimento feridas quase incuráveis, e contra os quais temos lutado com toda energia e toda paixão. Por isso, podemos, com toda a tranquilidade, ignorar os ataques provenientes deste campo. Grupo de Anarquistas Russos no Estrangeiro
Em 20 de junho de 1926, vinha a público a introdução ao documento que se tornará um importante referencial crítico/autocrítico, reflexivo e direcionador para as futuras organizações que irão surgir no decorrer dos séculos 20 e 21. Publicada no periódico Dielo Truda, a Plataforma Organizacional é um dos grandes e importantes avanços no desenvolvimento da corrente organizacionista e classista do anarquismo pelo mundo, assim como na América Latina e no Brasil, mostrando ser uma continuidade do pensamento organizacional bakuniniano.
A Plataforma é fruto da análise após as lutas travadas em território russo e ucraniano entre 1917 e 1921; da leitura das ações e posições tomadas pelos anarquistas frente à centralização e traições cometidas pelos bolcheviques. É um documento que surge com a intenção de unificar os anarquistas em torno de um programa federalista baseado na unidade ideológica, na unidade tática e na responsabilidade coletiva. É uma plataforma destinada a organizar os anarquistas para a luta classista e, ao mesmo tempo, para a luta avançada rumo à revolução social. Ela foi e segue sendo um importante passo para a corrente organizacionista e classista do anarquismo de massas.
Como previsto pelo grupo, a Plataforma passou por vários ataques e críticas, muitas delas vindas de grupos e setores sintetistas, não classistas e individualistas da ideologia, que chegavam a ver a proposta como uma tentativa de “bolchevização” do anarquismo. Apesar disso, o documento também provocou importantes debates — um deles foi a troca de cartas entre Malatesta e Makhno.
A OSL também tem como referencial a contribuição histórica (prática e teórica) do Grupo de Anarquistas Russos no Estrangeiro. Através das publicações do Dielo Truda, o grupo realizou importantes debates e propostas no sentido de recolocar o anarquismo como ferramenta organizativa, de luta classista, revolucionária e de transformação social.
Juntamente com a atuação nas lutas do cotidiano, a necessidade de unidade teórica, ideológica, estratégica e tática ainda marca, nos dias de hoje, as grandes linhas da militância anarquista no mundo. Sem unidade, coerência e ética, sem um programa coerente e forjado a partir da leitura materialista da realidade, não se combaterá eficazmente o sistema capitalista-estatista e não se avançará para seu fim. É com unidade, combatividade e organização que poderemos avançar na construção do poder popular autogestionário e ter, novamente, movimentos populares que possam romper com a burocracia institucional e construir uma outra sociedade.
Viva os 100 anos da Plataforma Organizacional!
Viva o anarquismo organizado!
Organização Socialista Libertária
Junho de 2026