Transporte não é mercadoria! Tarifa Zero já!

Nota Nacional 07/2024

Mais um ano se inicia, e com ele vieram aumentos nas tarifas do transporte coletivo em diversas regiões do país. Com esses aumentos, milhões de pessoas serão prejudicadas, principalmente a classe trabalhadora mais precarizada.

Ficaram mais caras as passagens do metrô e dos trens que atendem a população da Grande São Paulo (de R$ 4,50 para R$ 5) e dos ônibus intermunicipais de SP (+13,6% em média), além dos ônibus municipais de Belo Horizonte (R$ 4,50 para R$ 5,25) e das linhas intermunicipais da Grande BH (aumento de 7,15%). Outras cidades também aproveitaram as festas de fim de ano para impor um reajuste à população: em Boa Vista (RR), os ônibus municipais passaram de R$ 5,00 para R$ 5,50; em Joinville (SC), as passagens aumentaram R$ 0,25, chegando a R$ 5,50 na passagem antecipada e R$ 5,75 na embarcada; em Londrina, o aumento foi de R$ 0,95, de R$ 4,80 para R$ 5,75; e na região metropolitana de Porto Alegre, um aumento de 5,6% foi aplicado apenas 5 meses após o último reajuste, que foi de 6%.

As justificativas dos governos, como sempre, são o aumento dos custos das empresas e a necessidade de "ajuste" das contas. Discurso que só serve para empurrar à população o custo dos privilégios da própria classe política e dos empresários do transporte. Basta lembrar que os governadores Tarcísio e Zema tiveram os próprios salários aumentados, e também aumentaram os salários das polícias acima da inflação, enquanto trabalhadores da Educação e da Saúde não tiveram o mesmo tratamento.

Cada aumento de tarifa aumenta a exclusão, impedindo que mais pessoas deixem de circular por nossas cidades por não terem dinheiro para pagar as tarifas e também por fazer com que fatias cada vez maiores dos nossos orçamentos sejam gastas com os deslocamentos, aumentando a carestia e precariedade de nossas vidas.

A luta pelo transporte marca a história das cidades brasileiras. São marcos dessa luta a Revolta do Vintém (Rio de Janeiro, 1879/1880), a Revolta das Barcas (Niterói, 1959), a Revolta do Buzu (Salvador, 2003), as Revoltas da Catraca (Florianópolis, 2004 e 2005) e as Jornadas de Junho, que massificaram a luta pela Tarifa Zero por todo país em 2013.

Graças a esse extenso movimento histórico de lutas pelo transporte, 101 cidades brasileiras têm Tarifa Zero, beneficiando cerca de 5 milhões de pessoas. Enquanto tarifas mais caras afastam pessoas do transporte coletivo, a Tarifa Zero estimula o uso dos ônibus, trens e metrôs, com benefícios sociais e ambientais.

A crise de mobilidade brasileira é a crise da concepção mercadológica de transporte e só a Tarifa Zero pode alterar esse quadro! Basta apontarmos que todas as cidades que adotaram a Tarifa Zero tiveram aumento na utilização do transporte coletivo, mostrando que há uma enorme demanda que é reprimida pelas tarifas.

Políticos profissionais e mesmo movimentos sociais foram ao judiciário tentar barrar os aumentos, o que é uma ilusão. Como mostra nosso histórico de lutas populares pelo transporte, somente pela força das ruas é possível fazer os governos recuarem, avançando para um modelo que não trate o transporte como mercadoria.

Por um transporte verdadeiramente público, sob controle dos trabalhadores, acessível e de qualidade para toda população, sem exclusão social!

CONTRA OS AUMENTOS!
TARIFA ZERO JÁ!

OSL, 8 de janeiro de 2024