A luta contra o racismo é uma luta contra o Estado e o Capital

No Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, pela primeira vez oficializado como feriado nacional neste 20 de Novembro de 2024, a militância da Organização Socialista Libertária (OSL) estará em marcha, fortalecendo os atos de rua e demais eventos em todo país. Marcaremos, junto ao conjunto de nossa classe, a data como dia de luta contra o racismo, contra o genocídio da população negra e periférica promovido pelo Estado brasileiro e reivindicando através da luta popular o avanço de direitos e condições de vida das classes oprimidas. O dia 20 de Novembro tem um simbolismo histórico enorme, marcando o dia de luta do povo negro pela liberdade e contra o racismo. 

Enquanto anarquistas, lutamos contra todas as formas de dominação, como a dominação étnico-racial (racismo), que é um elemento estrutural de poder e dominação na nossa sociedade, assim como o imperialismo e o patriarcado. O sistema capitalista-estatista, desde sua formação, precisou do imperialismo, do colonialismo, do patriarcado e do racismo para se desenvolver, tornando a discriminação e a segregação de gênero e racial suas chaves de funcionamento. No Brasil, a história da escravidão se entrelaça com a consolidação do capitalismo em nosso país. Tanto a exploração econômica, quanto as diferentes formas do capitalismo constroem um ideário que justifique sua existência e dependem dessas formas de dominação para continuar existindo.

O racismo divide nossa classe, servindo de justificativa para guerras e genocídios, como o genocídio do povo palestino promovido pelo Estado de Israel (quase 50 mil palestinos assassinados pela política sionista) e o genocídio do povo negro e periférico pelo Estado brasileiro. Entre 2002 e 2022 mais de 445.442 pessoas negras foram assassinadas no Brasil, evidenciando que os mecanismos de violência e racismo seguem intactos no país, independentes do governo e espectro político.

O racismo histórico no país também atua para determinar baixos salários, péssimas condições de vida e trabalho, desde o período da escravidão até a extrema precarização da vida atualmente. Apesar da população negra corresponder a 56,7% da população brasileira, 45,2% desta ocupam postos de trabalho informais, sem garantias de direitos trabalhistas. Na prática, isso significa que quase metade dos trabalhadores e trabalhadoras negros/as trabalham na informalidade e sem direitos trabalhistas garantidos pela CLT. Os homens negros recebem 41,9% menos que os homens brancos e as mulheres negras recebem 38,9% menos que as mulheres brancas. Estatísticas que se repetem em diferentes situações, historicamente.

O Capitalismo e o Estado precisam do racismo, e não será de dentro desse sistema de morte e exploração que virá a solução para o fim da discriminação e da segregação racial. O capitalismo somente criará outras roupagens para manter as classes dominantes em seus postos, como o black money e as “políticas de representatividade”, que colocam novas máscaras no sistema, plantando ilusões nas classes oprimidas, como a lógica do empreendedorismo e a crescente uberização do trabalho.

Por isso, reafirmamos que a luta contra o racismo só pode se desenvolver como uma luta revolucionária e anticapitalista, com corte de classe e formas combativas de mobilização. Apostamos nessa via como instrumento de unificação das diferentes frentes de luta das classes oprimidas, sem isso não teremos reais condições para o enfrentamento desse sistema e permaneceremos fragmentados, sem condições de avançar na via revolucionária.

Para nós, a estrutura de classes de nossa sociedade deve ser entendida também com os recortes de gênero e raça. Ou seja, longe de dividir a classe, mas apenas com esse quadro mais amplo, combatendo as dominações de gênero e raça, que podemos realizar a luta contra a exploração de forma consistente.

Nesse sentido, é fundamental reforçar a importância das lutas contra o genocídio do povo negro e pelo fim da polícia, assim como as lutas contra a escala 6x1, contra a reforma trabalhista e a lei da terceirização.

No caso da escala 6x1, vemos como essa hiperexploração é direcionada ainda mais para a classe trabalhadora negra. Dos trabalhadores formais que trabalham mais de 40h por semana, 65% ganham até dois salários-mínimos e 42% ganham 1,5 salários-mínimos. De cada quatro homens brancos que trabalham seis dias por semana, um ganha até um salário-mínimo e meio, enquanto para as mulheres negras, essa proporção sobe para três mulheres a cada cinco. A escala 6x1 é muito difundida no setor do comércio e, dentro desse setor, as mulheres negras recebem os piores salários. 90% das mulheres negras que trabalham no comércio, recebem menos de dois salários-mínimos.

Vemos, portanto, que todas essas reivindicações são fundamentais para o combate ao racismo e no avanço da luta de classes, que necessariamente deve ser uma luta antirracista. Ou seja, isso significa fortalecer a luta por redução da jornada de trabalho sem redução salarial, como uma pauta fundamental na luta contra o racismo, articuladas a um horizonte mais amplo e revolucionário.

VIVA O 20 DE NOVEMBRO E A LUTA E RESISTÊNCIA DE TODOS OS QUILOMBOS!

VIVA ZUMBI, DANDARA, AQUALTUNE E TEREZA DE BENGUELA!

COMBATER O RACISMO, COM POLÍTICA ANTIRRACISTA E PELO FIM DA ESCALA 6X1!

PELO FIM IMEDIATO DA REFORMA TRABALHISTA E DA LEI DA TERCEIRIZAÇÃO!

Organização Socialista Libertária
Novembro de 2024