Crimes de maio, 20 anos. Não esquecer, nem perdoar!
O mês de maio de 2006 é lembrado com um dos mais sangrentos do estado de SP. Em resposta a ataques ordenados pelo crime organizado, a polícia fez uma operação de revide que aterrorizou as periferias das cidades. Entre os dias 12 e 21 de maio daquele ano, 564 pessoas foram mortas, sendo 505 civis, a grande maioria sem qualquer ligação com o crime organizado. O caso ficou conhecido como Crimes de Maio, um dos maiores massacres já promovidos pelo Estado brasileiro.
Segundo estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo, ao menos 118 pessoas foram mortas em supostos confrontos com a polícia, e 4 foram comprovadamente executadas por policiais. Outras 53 foram executados por grupos encapuzados, e 50 executadas por figuras individuais. Grande parte dessas execuções eram cometidas por grupos de extermínio formados por policiais, mas as investigações nunca avançaram. As vítimas, quase sempre, eram jovens negros moradores das periferias.
Na busca por verdade e justiça, familiares das vítimas buscaram a luta autônoma e coletiva para se fortalecerem e denunciar os crimes. Na Baixada Santista surgiu o movimento Mães de Maio, formado principalmente por mães dos jovens executados. Nessas duas décadas, o movimento ganhou relevância, apoios, e seguiu denunciando os crimes do Estado, tanto nas mortes de maio de 2006 quanto nos massacres que se seguiram contra a parcela mais precarizada da classe trabalhadora. Apesar da impunidade perpetuada pelo judiciário, a luta das mães continua firme e incansável, consciente de que os Crimes de Maio se inserem em um amplo contexto de terrorismo do capital e do Estado.
Para lembrar a data, o Cordão da Mentira e as Mães de Maio saem às ruas de São Paulo neste sábado, dia 16, com concentração na Av. Paulista, próximo ao metrô Trianon-Masp, em ato conjunto com o movimento de solidariedade à Palestina, pelos 78 anos da Nakba. Convocamos a todas as pessoas a se somarem nessa manifestação!