8M: pela vida das mulheres, autodefesa popular! A luta contra o feminicídio é tarefa de todos!
A omissão do Estado e a armadilha institucional
Enquanto setores como PT, PSOL e outras expressões da esquerda institucional direcionam as mobilizações para o “voto em candidatas mulheres” ou para um discurso de “soberania nacional” que instrumentaliza o movimento para a disputa eleitoral, a realidade concreta escancara a falência das políticas públicas. Mulheres seguem sendo assassinadas mesmo com medidas protetivas. O aumento de mais de 300% nos feminicídios em dez anos prova que a via institucional, por si só, não freia o ódio machista.
Assim, a pauta da violência é esvaziada em nome de um calendário eleitoral que, no geral, faz apenas mudanças cosméticas, não combate as raízes dessa violência, e ao fim segue fortalecendo o patriarcado e o conjunto das classes dominantes.
Seja nos estados onde as taxas de feminicídio são mais altas, como Acre, Rondônia e Mato Grosso, ou nos recordistas em números absolutos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a ausência do poder público é a mesma. A nova lei que aumenta para 20 anos a pena mínima de feminicídio é uma resposta, mas que não impede que uma mulher seja morta enquanto aguarda justiça.
Contra o pacifismo
Rejeitamos a ideia muitas vezes reproduzida de que as mulheres sejam (ou devam ser) naturalmente pacíficas ou linha de frente de uma “luta pela paz”. Essa visão apaga a rica história de mulheres que defenderam a luta revolucionária, entendendo a necessidade de pegar em armas, quando necessário – como as combatentes anarquistas da Espanha de 1936, e tantas outras que ao longo da história se levantaram contra a dominação e a opressão. O discurso pacifista desarma a luta de classes e esvazia a necessidade de uma real transformação social.
As mulheres não são pacificadoras inatas: somos sujeitas políticas que vamos defender nossa existência e nossa classe, e para isso podemos fazer uso de diferentes métodos, inclusive a violência. O combate ao imperialismo e ao capitalismo é também nossa luta, e a faremos com a firmeza necessária, com solidariedade internacionalista em um momento de guerras e ameaças às mulheres em todos os continentes.
Autodefesa Popular: a violência contra uma é a violência contra todos
Diante dessa falência sistêmica, a auto-organização e a autodefesa popular se impõem como necessidade. Defendemos:
Redes de apoio e vigilância comunitária: Organizar os bairros, os locais de trabalho e os espaços de convivência para identificar situações de risco e agir coletivamente. Que os agressores saibam que serão confrontados pela comunidade organizada.
Formação em autodefesa física e psicológica: Fomentar a formação de oficinas e treinamentos para que as mulheres possam ter mais condições de se proteger individualmente, e de se proteger umas às outras.
Ação direta contra agressores:
Onde o Estado não chega ou se omite, a resposta deve ser coletiva. Não se trata de justiçamento, mas de defesa imediata da vida.
Fortalecimento dos laços de solidariedade de classe:
Mulheres trabalhadoras, unidas contra o machismo e a exploração.
A autodefesa não substitui a luta por orçamento para promoção de políticas públicas, mas a complementa como expressão da organização popular. Enquanto não houver uma transformação revolucionária da sociedade, é necessário ter meios concretos para sobreviver.
A luta continua: pautas imediatas e organização de base
O 8 de Março também é dia de reafirmar a luta contra a escala 6×1, que sobrecarrega ainda mais as mulheres trabalhadoras, minando o tempo de organização e cuidado coletivo. A redução da jornada sem redução de salários é uma pauta que une a luta contra a exploração capitalista à luta contra a dominação patriarcal.
Convocamos todas as mulheres trabalhadoras e todos os setores populares a somar forças nesta construção. Que este 8 de Março seja um primeiro passo na organização da autodefesa popular contra o feminicídio!
Pela vida das mulheres, organização e ação direta!
VIVAS, LIVRES E EM LUTA!
AUTODEFESA POPULAR JÁ!
ABAIXO O FEMINICÍDIO
E O PATRIARCADO!
Organização Socialista Libertária
Março de 2026