Jenin, Jenin mostra heroica luta do povo palestino
Documentário traz entrevistas com sobreviventes palestinos
Em abril de 2002, o campo de refugiados de Jenin, cidade no território palestino da Cisjordânia ocupada, foi destruído durante 10 dias na operação Escudo Defensivo, levada a cabo pelo exército israelense. No ataque, os sionistas cometeram diversos crimes de guerra, e estima-se que entre 200 e 500 palestinos foram mortos a tiros, soterrados vivos, esmagados por tanques de guerra e sob tortura.
No documentário Jenin, Jenin, o ator e diretor palestino Mohammad Bakri conseguiu entrar no campo e entrevistar refugiados sobreviventes de todas as idades. O filme foi premiado como Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Cartago de 2002 e com o Prêmio Internacional de Cinema Documental e Reportagem Mediterrânea de 2003. As legendas traduzidas para o português foram feitas pelo Cineclube Al Ard.
A câmera filma destroços de prédios e casas. Moradores andam pelos escombros e dizem que todo mundo perdeu alguém, que em todo lugar tem gente procurando seus familiares soterrados. A tristeza e a revolta estão em todos os semblantes, das crianças aos idosos, passando pelas pessoas com deficiência: os sionistas não pouparam ninguém.
Nas falas dos entrevistados, salta a sagacidade e a estupefação de quem acabou de passar dias presenciando atrocidades, sofrendo covarde violência, perdendo entes queridos e vendo seu patrimônio virar ruína, mas que, mesmo assim, insiste obstinadamente em lutar até o fim contra o inimigo colonizador que rouba terras e promove tentativa de limpeza étnica. São palavras cortantes de mentes afiadas pela dor, pela coragem e pela combatividade.
CineCELIP debateu documentário em São Paulo
Em fevereiro, o CineCelip, junto com o Cineclube Al Ard, exibiu em São Paulo o documentário Jenin, Jenin, discutindo a heroica luta de resistência do povo palestino.
O cine-debate aconteceu no momento do cessar-fogo entre Israel e o Hamas – logo depois descumprido pela entidade sionista. As pessoas presentes saíram com uma visão mais ampla da história da resistência palestina e da opressão sionista, com uma sensibilidade mais profunda em relação ao genocídio atualmente em curso e com maior instrução sobre como realizar a luta contra o sionismo e em solidariedade à Palestina.
Texto originalmente publicado no Libera 182 (jan-jul de 2025).