[TURQUIA] A OTAN é uma organização belicista: Não à guerra, sim à luta de classes!
Divulgamos tradução de comunicado de companheiros anarquistas da Turquia, em protesto contra a próxima cúpula da OTAN, que acontece em duas semanas, em Ancara. O governo turco proibiu reuniões públicas e manifestações, e ontem prendeu mais de 200 pessoas, em uma investigação contra organizações militantes.
Desde as políticas genocidas que Israel continua a aplicar contra a Palestina até a devastação causada pela guerra na Síria, que se arrasta há anos, e às tensões regionais crescentes alimentadas pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, a Ásia Ocidental transformou-se hoje num campo de batalha onde a competição imperialista se intensifica. Este quadro reflete não só os conflitos regionais, mas também a crise da ordem capitalista global.
Nestas condições, não é por acaso que a 36.ª Cúpula da OTAN se realizará em Ancara, Turquia, nos dias 7 e 8 de julho. A OTAN, que tem desempenhado um papel ativo em intervenções que vão da Palestina ao Afeganistão, da Líbia à Síria e ao Curdistão, continua a funcionar como uma das ferramentas fundamentais das relações de poder imperialistas e da ordem militarista. O fato de a Turquia sediar esta cúpula ilustra claramente a posição das classes dominantes do país no seio deste sistema de guerra.
Apesar de todas as diferenças retóricas, a classe dominante da Turquia não está fora desta ordem de guerra. Enquanto, por um lado, se produz uma retórica de “paz” e “oposição”, por outro lado mantém-se a adesão à OTAN, intensifica-se a cooperação militar e prossegue-se a integração ativa nas estratégias imperialistas regionais. A contradição entre a oposição retórica a Israel e as relações econômicas e militares em curso é, de fato, apenas uma manifestação dos mesmos interesses de classe. Por isso, para nós, a luta contra a OTAN não é uma questão de defesa nacional; é uma frente no ataque ao capitalismo e à burguesia.
Da nossa perspectiva como trabalhadores, tanto a OTAN como os outros blocos capitalistas que com ela competem — tais como o Irã, a Rússia, a China, etc. — fazem parte do mesmo sistema de exploração. Alinhar os trabalhadores por qualquer uma destas potências significa submetê-los à reprodução das suas próprias relações de exploração. Por esta razão, a luta contra a OTAN não é meramente uma luta contra uma aliança militar, mas uma luta de classes travada diretamente contra o sistema capitalista de guerra.
Esta luta exige também uma linha internacionalista. Os trabalhadores, a juventude e todos os oprimidos partilham um interesse comum em opor-se ao nacionalismo, ao militarismo, às políticas de guerra e ao patriarcado. O destino de todos os trabalhadores na Palestina, na Síria, no Irã, na Turquia, no Curdistão e em todo o mundo está interligado; as fronteiras são linhas ideológicas que ocultam estas relações de exploração. Com esta compreensão, devemos promover a solidariedade internacional contra o nacionalismo, o militarismo e as políticas de guerra em todo o mundo.
Por esta razão, estamos levantando nossas vozes contra a cúpula da OTAN que se realizará em Ancara. Apelamos aos trabalhadores, aos jovens, às mulheres, às pessoas queer e a todos os defensores do movimento antiguerra para que reforcem a luta contra o militarismo, as intervenções imperialistas e a ordem capitalista da guerra.
O nosso lado não é nem a OTAN nem as outras potências dominantes que a opõem. O nosso lado é a possibilidade de uma libertação comum de todos os trabalhadores do mundo.
Não à OTAN! Não à guerra, sim à luta de classes!
Anarquistas Internacionalistas
Associação Autônoma dos Trabalhadores