Contra as manobras do Congresso e dos patrões, o momento é decisivo: Pela construção de uma Greve Geral pelo fim da escala 6×1!
O tempo de vida não é mercadoria
A luta pelo fim da escala 6×1 expressa uma insatisfação profunda da classe trabalhadora com um modelo de exploração que a todo momento trabalha para transformar cada minuto de nossas vidas em fonte de lucro para os patrões. Enquanto milhões de trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas, adoecimento físico e mental e a impossibilidade de conviver com sua comunidade, uma minoria acumula riqueza através da apropriação do nosso tempo de trabalho.
Os agentes das classes dominantes que se colocam contrários ao mínimo, que é fim da escala 6×1, mostram sua face escravocrata. Não se trata de nem de um benefício ou um avanço, mas de uma necessidade elementar para quem produz toda a riqueza da sociedade. Os patrões nos roubam cada segundo de vida para ampliar seus lucros cada vez mais desproporcionais, e a maioria da população trabalhadora é obrigada a sobreviver sob escalas absurdas e ritmos cada vez mais intensos de trabalho ganhando salários cada vez mais baixos.
A reação dos patrões e seus representantes
O enorme apoio popular pelo fim da escala 6×1 colocou em alerta os setores empresariais e seus representantes no Congresso Nacional. Por isso, enquanto a PEC da redução da jornada de trabalho permanece paralisada no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, articula alterações para adequá-la aos interesses dos setores patronais.
Entre as mudanças defendidas está a incorporação de dispositivos da chamada “PEC das Horas Trabalhadas”, proposta pela extrema-direita e por setores do Centrão. O objetivo é ampliar a flexibilização das relações de trabalho, fortalecendo contratos precários e acordos individuais que colocam trabalhadores isolados diante do poder econômico dos patrões.
Não satisfeitos em bloquear o avanço da pauta, querem utilizar a reivindicação dos trabalhadores como instrumento para aprofundar a retirada de direitos.
O Congresso pode acabar com a 6×1 e ainda manter a superexploração
O problema não se resume à manutenção formal da escala 6×1. O Congresso pode retirar essa modalidade da legislação e, simultaneamente, criar mecanismos que permitam jornadas até piores.
A reforma trabalhista já abriu espaço para isso ao estabelecer que o “acordado” poderia prevalecer sobre o legislado. Hoje, patrões e empresas possuem amplas possibilidades de contornar garantias legais por meio de negociações desiguais impostas aos trabalhadores.
A situação torna-se ainda mais grave com as iniciativas que aprofundam a uberização das relações de trabalho, legalizando formas de contratação sem jornada definida, sem estabilidade e sem direitos efetivos.
Por isso, é importante sempre enfatizar que a luta não pode ser apenas pela mudança de uma escala específica, mas contra todas as formas de flexibilização e precarização impostas pelo capital.
A manutenção da escala da escravidão no comércio e nos serviços
Uma das propostas discutidas nos bastidores prevê a manutenção da escala 6×1 para determinados setores, especialmente comércio e serviços, justamente a maior parte dos trabalhadores nesta escala.
Isso significa que milhões de trabalhadores submetidos às jornadas mais desgastantes continuariam sem tempo para descansar, estudar, conviver com suas famílias ou participar da vida social e política.
Para justificar essa política, os representantes patronais repetem o velho discurso de que a redução da jornada causaria prejuízos econômicos, fechamento de postos de trabalho ou aumento dos preços.
É a mesma chantagem utilizada historicamente contra todas as conquistas da classe trabalhadora. Foi assim nas lutas pela limitação da jornada, pelas férias, pelos direitos previdenciários e até mesmo pelo fim da escravidão. É necessário que sejamos intransigentes contra esse discurso dos nossos iminigos de classe.
Não será o parlamento que garantirá essa conquista
A lentidão da tramitação da PEC revela o verdadeiro objetivo dos setores das classes dominantes: impedir que a pauta avance antes das eleições e evitar desgaste político junto à população.
Enquanto projetos de interesse do agronegócio, do mercado financeiro e dos grandes empresários avançam rapidamente, a redução da jornada é tratada como tema que exige “mais debate” e “mais estudos”.
Ao mesmo tempo, acordos entre governo e Congresso têm contribuído para reduzir a pressão sobre os parlamentares. A retirada da urgência de projetos relacionados à redução da jornada demonstra os limites da estratégia de confiar exclusivamente na negociação institucional. A política eleitoreira de figuras de todo o espectro político que disputam o parlamento mais uma vez se mostra extremamente oportunista, e instrumentaliza uma pauta fundamental para a vida digna da classe trabalhadora para contar votos nas urnas em outubro.
A história do movimento dos trabalhadores mostra que nenhum direito importante foi concedido espontaneamente pelos patrões, governos ou parlamentares. Todas as conquistas foram resultado da organização coletiva e da luta direta dos trabalhadores. Confiar todas as fichas em negociações com os patrões é contar com o risco de rifar o que tem de elementar no conteúdo da pauta.
Organizar a luta desde os locais de trabalho
A campanha pelo fim da escala 6×1 precisa aprofundar as raízes nos locais onde a exploração acontece diariamente.
O movimento poderia ter avançado muito mais através da construção de comitês de campanha, assembleias de base e paralisações nos locais de trabalho. Embora essa construção ainda seja insuficiente, continua sendo o caminho que foi mais eficaz para transformar o apoio social em força organizada. O VAT teve o seu momento de maior importância quando esteve mais perto das ruas e distante da jogatina institucional, foi neste momento em que foi construído o apoio popular. Em meio a um momento decisivo para o avanço da pauta, as duas figuras de maior expressão do movimento, Érica Hilton e Rick Azevedo, estão preocupados em debater nas redes sociais questões internas mesquinhas de financiamento de candidaturas de seu partido, o PSOL.
Defendemos que os sindicatos sejam pressionados a assumir essa pauta e mobilizar suas categorias. Onde for possível, é necessário construir paralisações e ações concretas que coloquem os trabalhadores como protagonistas da luta.
Somente pela organização de base e pela ação direta será possível garantir mudanças reais nos contratos e nas condições de trabalho.
O fim da escala 6×1 não é o fim em si mesmo
O fim da escala 6×1 é uma reivindicação fundamental para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora, mas essa conquista pode ser facilmente contornada pelos patrões caso não venha acompanhada de outras garantias e da permanente mobilização dos trabalhadores. As empresas podem responder à redução da jornada intensificando o ritmo de trabalho, aumentando as metas, ampliando a jornada diária ou até reduzindo salários e direitos. Por isso, a luta pela redução da jornada deve estar articulada à defesa da redução das horas de trabalho sem redução salarial, da estabilidade no emprego e da revogação das reformas trabalhista e previdenciária aprovadas no governo Temer. Os patrões utilizam constantemente a ameaça do desemprego para impor condições cada vez piores de trabalho, recorrendo às demissões e à precarização sempre que seus lucros são ameaçados. Não aceitaremos que os trabalhadores paguem pelas crises econômicas. O custo das crises deve recair sobre os lucros dos capitalistas, e não sobre o sustento das famílias trabalhadoras.
Construir uma greve geral para vencer
A luta pelo fim da escala 6×1 possui potencial para unificar amplos setores da classe trabalhadora em uma mesma batalha.
Por isso, apoiamos todas as mobilizações construídas em torno dessa pauta e defendemos que elas avancem para um processo crescente de paralisações e greves.
Mais do que atos simbólicos ou eventos controlados pelas burocracias sindicais, precisamos construir mobilizações capazes de afetar o funcionamento normal da economia e ampliar a pressão sobre empresários e governos.
Somente a mobilização independente da classe trabalhadora poderá derrotar as manobras do Congresso, da patronal e de todos aqueles que tentam impedir a conquista de melhores condições de vida para quem trabalha.
Organização Socialista Libertária
Junho de 2026