No dia 7 de outubro de 1934, há 91 anos, aconteceu A Batalha da Praça da Sé, episódio também conhecido como a Revoada dos Galinhas Verdes, um confronto entre antifascistas e membros da Ação Integralista Brasileira (AIB) - partido fascista com molde teórico inspirado nas ideias do integralismo francês e no fascismo italiano, buscando abrasileirar suas indumentárias, com braço armado, grupos femininos e publicações.
A AIB vinha em ascensão desde 1932, ano de sua fundação, tanto em membros quanto ao nível de violência empregado contra as organizações da classe trabalhadora. Era responsável por fazer o trabalho sujo que o DOPS não conseguia fazer.
Além da militância antifascista organizada em torno de trabalhadores imigrantes havia também a Federação Operária de São Paulo (FOSP) que, mesmo com a repressão estatal, ainda tinha muita influência dos anarquistas.
Ao lado de militantes do PCB, e puxado pelo Partido Socialista Brasileiro (que tinha muitos vínculos com a militancia antifascista italiana) e a Liga Comunista, os anarquistas compuseram a Frente Única Antifascista (FUA) em 1933 e organizaram diversos atos contra as marchas integralistas e comitês de segurança nos locais de organização da classe trabalhadora, como sindicatos, sede de jornais e partidos, lugares de lazer e cultura etc.
No dia da comemoração de dois anos do manifesto integralista, a FUA se organizou para barrar de vez os galinhas verdes. O comício já lotava os arredores da Praça da Sé, no centro de São Paulo, que na época era o ponto de ebulição de partidos políticos, tanto que no dia anterior a polícia vasculhou alguns prédios que eram escritórios de sindicatos. Ao tentar reprimir o confronto físico, a polícia disparou contra um grupo e então todos os lados que estavam armados começaram a trocar tiros. O conflito se acalmou, até o disparo acidental de uma metralhadora da polícia. O episódio teve o saldo de sete mortes e cerca de 30 feridos, e a humilhação pública da AIB, destacada nas páginas dos jornais da classe trabalhadora, como o Jornal do Povo, que estampou a seguinte manchete: “Um integralista não corre: voa...”
A retomada das ideias de extrema-direita entre um público mais amplo demonstra a necessidade da luta antifascista em todo o mundo. O ressurgimento de ideologias reacionárias tem a intenção de manter e ampliar os privilégios das classes dominantes. Racismo, xenofobia, nacionalismo e misoginia são expressões dessas ideologias, muitas vezes acompanhadas de políticas de austeridade e de morte.
A luta antifascista segue viva ao redor do mundo, enquanto o fascismo seguir existindo. Nos EUA, território livre para a organização de grupos de extrema-direita, o governo Trump declarou os Antifa como uma organização terrorista, provocando um clima de perseguição e medo em quem trava a luta antifascista cotidianamente. Exemplo disso é o exílio do professor e historiador Mark Bray, autor de "Antifa: o Manual Antifascista", que por conta das ameaças que sofreu mudou-se com a família para a Europa.
O anarquismo tem um forte papel na denúncia e combate ao fascismo. Como demonstra a Batalha da Praça da Sé e inúmeros outros episódios, a luta antifascista deve seguir organizada e preparada para combater a extrema-direita, com qualquer meio necessário.
Viva a luta antifascista, ontem, hoje e sempre!
Organização Socialista Libertária
Outubro de 2025
Indicações de leitura:
- Kauan Willian dos Santos. Militantes, organizações e a imprensa antifascista libertária no Brasil: articulações locais e conexões transnacionais (1930-1945)
- Felipe Corrêa. Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário
- Raquel Azevedo. A resistência anarquista: uma questão de identidade (1927-1937)
