Consciência Negra é luta viva contra o racismo, o capital e o Estado. Palmares Vive! O Povo Negro Resiste!
Consciência Negra é luta viva contra o racismo, o capital e o Estado. Palmares Vive! O Povo Negro Resiste!

O 20 de Novembro é um dia de afirmação da resistência negra e da memória combativa que acompanha o povo brasileiro desde os tempos da invasão europeia. Não se trata de uma data comemorativa esvaziada, como buscam disseminar os veículos da grande mídia, mas de um marco político que reafirma que o racismo continua estruturando a ordem capitalista-estatista e a dominação de classes no Brasil. Essa realidade permanece se expressando de maneira violenta e explícita no país.

Violência racial e crise social

As chacinas recentes nas periferias da Baixada Santista, do Rio de Janeiro, de Salvador e em outras cidades do país mostraram novamente como o Estado utiliza a violência policial para controlar e aterrorizar territórios com maioria negra. Em complemento a isso, o encarceramento em massa segue em expansão, com presídios superlotados e prisões provisórias que atingem esmagadoramente a população negra — 75% dos presos sem julgamento são negros. Ao mesmo tempo, a crise de moradia se agravou, com despejos violentos em grandes cidades como São Paulo, Recife e Belo Horizonte, removendo sobretudo famílias negras de suas casas e reforçando a lógica de expulsão urbana que favorece os grandes proprietários e os interesses do mercado imobiliário.

Tudo isso associado ao aumento do custo de vida, a inflação de alimentos e a precarização do trabalho, que atingem com força desproporcional a população negra, que compõe a base mais explorada da classe trabalhadora. Nessa conjuntura, as mulheres negras seguem como o grupo mais precarizado e mal remunerado, acumulando jornadas extensas e instáveis no serviço doméstico, por exemplo, e nas ocupações de baixa proteção social e trabalhista. De acordo com o Dieese, cerca de metade das mulheres negras ganham até um salário mínimo, e o rendimento médio é 53% menor que o de homens brancos. Números que escancaram o apartheid racial e de gênero no país.

Cenário internacional: povos racializados como alvo

Esse cenário interno se conecta com a conjuntura internacional, marcada pelo avanço da crise climática, que afeta especialmente territórios racializados do Sul Global; pela militarização das fronteiras na Europa e nos Estados Unidos, onde migrantes africanos, caribenhos e latino-americanos se tornam alvos de violência e encarceramento; e por guerras que recaem com mais intensidade sobre populações historicamente colonizadas. O Brasil integra esse processo, onde os povos negros e indígenas são os mais vulnerabilizados tanto em relação à destruição ambiental quanto à exploração econômica e à própria dinâmica de extermínio legalizado.

O racismo como pilar do capitalismo brasileiro

Os acontecimentos recentes mencionados tornam ainda mais claro que o racismo não é um desvio moral ou um resíduo histórico, mas uma forma estruturante de dominação profundamente imbricada na própria constituição do capitalismo-estatismo. Assim como o colonialismo/imperialismo e o patriarcado, o racismo é parte fundamental na formação das classes sociais e da manutenção da exploração: ele orienta a violência estatal, define quem ocupa os trabalhos mais precarizados, legitima a superexploração, naturaliza desigualdades e sustenta a divisão social do trabalho que reserva aos homens brancos os postos de maior poder. A pobreza da população negra não é um acidente — é um pilar funcional para a reprodução do capitalismo dependente e subordinado brasileiro. Por isso, a luta antirracista só pode ser eficaz quando compreendida como parte inseparável da luta de classes e do enfrentamento ao capitalismo e ao Estado que o organiza. Combater o racismo é enfrentar a ordem que dele depende. A memória de Zumbi, Dandara, Tereza de Benguela e dos quilombos expressa precisamente essa perspectiva: Palmares não buscou integração com o poder colonial, mas edificou um projeto insurgente de autonomia coletiva, solidariedade e auto-organização popular capaz de romper com todas as formas de dominação articuladas.

Palmares aponta o caminho: rebeldia, autonomia e autogestão

No Brasil de 2025, esse espírito se manifesta nas mobilizações contra as chacinas, nas ocupações por moradia que se espalham pelas capitais como vimos na Favela do Moinho, em São Paulo, nas greves e resistência de trabalhadores/as terceirizados/as e precarizados/as, na luta da juventude negra contra a brutalidade estatal, nas resistências das periferias ao avanço do capital imobiliário e na defesa dos territórios quilombolas e indígenas diante da destruição ambiental. Essas lutas compõem um mesmo fio histórico: a recusa ativa a aceitar a desigualdade social e econômica como destino.

Neste 20 de Novembro reafirmamos a enorme importância da luta negra na reorganização das classes oprimidas, a necessidade de fortalecer todos os movimentos que enfrentam a violência policial e o genocídio em curso, e a urgência da auto-organização popular nos territórios urbanos e do campo, locais de trabalho, escolas e universidades. Rejeitamos a tentativa de transformar a data em espetáculo cultural ou peça de marketing institucional, esvaziando a luta antirracista de seu conteúdo político e revolucionário. Defendemos a construção de um projeto radical de transformação social que entenda que a luta étnico-racial é inseparável da luta de classes e que apenas com esse entendimento poderemos caminhar para um horizonte comum de emancipação e ruptura com o capitalismo.

O 20 de Novembro não pertence ao Estado, às empresas ou a discursos conciliatórios. É um dia que pertence ao povo negro e às lutas populares que seguem enfrentando a estrutura de opressão denunciada por Zumbi, Dandara e o Quilombo de Palmares. Que este 20 de Novembro de 2025 contribua para que nos mantenhamos organizados, solidários e determinados a enfrentar o racismo e o capitalismo-estatismo que os sustenta. Zumbi vive, o povo negro luta, e a construção do poder popular autogestionário continua sendo a única resposta capaz de honrar essa memória e avançar para um futuro de liberdade e igualdade social.

PALMARES VIVE!

VIVA O POVO NEGRO EM LUTA!

CONTRA O RACISMO. CONTRA O CAPITAL. PELO PODER POPULAR AUTOGESTIONÁRIO E A REVOLUÇÃO SOCIAL!

Organização Socialista Libertária

20 de Novembro de 2025

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