[Libera] Trabalho de base como estratégia político-organizativa
[Libera] Trabalho de base como estratégia político-organizativa
Muito se fala de trabalho de base, que é um tema recorrente e ainda mais necessário na atualidade. Mas é comum confundir trabalho de base com agito e propaganda, panfletagem, uma ida de casa em casa, mobilizações esporádicas ou somente nas eleições. Tudo isso pode fazer parte do trabalho de base, mas ele não se reduz a estas ações.

*Texto publicado no Libera #182. Leia a edição completa neste link.

Muito se fala de trabalho de base, que é um tema recorrente e ainda mais necessário na atualidade. Mas é comum confundir trabalho de base com agito e propaganda, panfletagem, uma ida de casa em casa, mobilizações esporádicas ou somente nas eleições. Tudo isso pode fazer parte do trabalho de base, mas ele não se reduz a estas ações.

O trabalho de base não pode se reduzir também a atividades sem continuidade, a eventos. Nem achar que é ficar fazendo um monte de reuniões – que são importantes, mas servem principalmente para preparar uma ação e depois avaliá-la ela, e não ser um fim em si. Ou pior, achar que dá pra fazer o trabalho de base pelas redes sociais ou pelo whatsapp, pelo contrário, precisa de contato com o povo.

O trabalho de base se insere num projeto político, que define sua intencionalidade. Ele se insere numa estratégia político-organizativa que busca a transformação social. Ou seja, estabelece objetivos e prioridades, evitando cair no tarefismo ou em querer “abraçar o mundo”, ou sucumbir a vícios como o reformismo, economicismo, assistencialismo ou ativismo. E com isso garante a sustentação, continuidade e conquistas das lutas.

Fazer trabalho de base é “fincar nossa bandeira” do movimento social, é construir força social em determinado espaço para ter controle do território economicamente, politicamente, organizativamente e culturalmente.

Também é comum que depois da conquista da moradia (por um movimento sem-teto) ou da terra (por um movimento do campo) que a dinâmica esfrie e cada um vá “cuidar de sua vida”. Aí também se deve seguir com o trabalho de base para manter a organicidade da ocupação, do assentamento, estimular a participação das pessoas na construção do cotidiano do movimento e em suas tomadas de decisão.

Também é importante pensar em diferentes formas de financiar e estruturar o trabalho de base, desde a contribuição de cada pessoa, por menor que seja, a apoiadores de fora, solidariedade de outros movimentos e sindicatos, entre outras. E sempre envolvendo o povo para pensar e na solução desses processos.

Além disso, no capitalismo as classes dominantes se articulam e somam esforços para aumentar seu poder e desmobilizar o povo, sequestrar suas pautas, reduzir sua capacidade de luta, atomizar os sujeitos e canalizar a indignação para saídas individualistas. Por isso o trabalho de base precisa de um projeto político revolucionário que articule e una a classe trabalhadora e o conjunto das classes oprimidas, construindo relações de solidariedade de classe.

Portanto, podemos dizer que o trabalho de base constitui todos os esforços de organização, de mobilização e de formação (técnica, política, cultural etc) que prepara as classes populares para o exercício do poder popular, que necessariamente elas devem conquistar.

Princípios do trabalho de base:

• Só a massa faz mudanças, o povo como força potencial na construção do poder popular autogestionário;

• Intencionalidade. O trabalho de base é feito por militantes que fermentam essa massa, canalizando a revolta e a indignação para um projeto de transformação social;

• Ação direta. Envolver o povo como protagonista, como sujeito. O povo deve assumir responsabilidades e construir as lutas nos espaços de moradia, educação e trabalho.

Objetivos do trabalho de base:

• Resolver problemas do cotidiano. O trabalho de base não é abstrato, acontece num momento e num território para lutar e resolver problemas do cotidiano do povo (terra, educação, comida, saúde, moradia, trabalho etc), ou seja, lutar por direitos sociais básicos.

• Politizar a luta. Ou seja, lutar por direitos sociais básicos mas não pode ficar só nisso. Os militantes precisam politizar o processo para que o povo entenda as raízes dos seus problemas, que existe um sistema capitalista que explora, domina e oprime a classe trabalhadora e os sujeitos sociais. E portanto, seus problemas não são apenas individuais e particulares, mas sofridos pelo conjunto das classes oprimidas. É preciso articular o local, o particular, com o todo, com o macro.

• Formar e recrutar novos militantes. O trabalho de base também busca aumentar os quadros da luta social, e que vão fazer parte desse projeto político de transformação social.

Método do trabalho de base:

• Não há como fazer o trabalho de base sem “meter o corpo” no território, se inserir numa base social (a partir de critérios), encarnar naquela realidade, “construir seu barraco” ali naquele lugar. Em outras palavras, a esquerda de intenção revolucionária precisa ter presença concreta e relevante nas diferentes dimensões da vida do povo.

• Não dá pra começar com todo mundo, tem que priorizar determinadas pessoas e experiências. A militância deve identificar e formar as lideranças, que existem no meio do povo, costumam ser aquelas pessoas curiosas, que têm iniciativa e são críticas, pensam para além de sua família. O processo começa pequeno, sem megalomania, com muitos grupos de base bem organizados e que formem um movimento. Assim, um “círculo pequeno” vai alimentando um “círculo maior”.

• Estabelecer prioridades e não querer “abraçar o mundo”. Para isso são importantes algumas metodologias como análises do território e planejamentos de ações, identificar os objetivos que são mais viáveis e possíveis de conquistar, em vez das megalomanias que nunca são alcançadas e geram frustração.

Tarefas permanentes do trabalho de base:

• Entrar em contato com o povo;

• Conhecer o território (sua economia, geografia, cultura, atores sociais etc);

• Não existe trabalho de base sem ação, por menor que seja. E ela tem que ser do tamanho que o povo está disposto a assumir. A ação também tem caráter formativo, é nela que se vai descobrindo as pessoas, o território. Deve-se envolver o povo como participante na divisão das tarefas para organizar e realizar a ação;

• Formação. Saber fazer as perguntas, ou seja, problematizar para o povo sair do senso comum sobre a realidade;

• O trabalho de base tem que desembocar no movimento social, ir pra rua, fazer alianças, dar sustentação para o trabalho de massa.

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