A conquista anunciada nos últimos dias — um acordo que garante um subsídio dos governos federal e estadual para moradia para mais de 800 famílias — é resultado direto da ação direta coletiva, independente e combativa dos próprios moradores, que com firmeza e organização enfrentaram repressão, descaso e promessas vazias.
Foi a partir da luta concreta e nas ruas, sem dar centralidade em reuniões a portas fechadas de gabinetes ou na "batalha de ofícios jurídicos", que colocou o governo Tarcísio em xeque, um dos poucos enfrentamentos populares recentes que arrancou uma vitória real diante da intransigência do governo estadual. O que forçou o recuo não foi a benevolência do governo federal ou de atores externos à comunidade, mas sim resistência popular frente à violência policial, às tentativas de desmobilização e às mentiras da grande mídia.
Não dá pra esquecer que o governo federal, dono do terreno, demorou demais para agir. A urgência da situação exigia respostas imediatas, e não o silêncio e a lentidão que durou meses, enquanto a PM assediava moradores, demolia casas e aterrorizava famílias.
Em meio ao enfrentamento, foram inúmeras declarações de vitória antecipadas em momentos inadequados por parte dos satélites governistas, que se colocaram à frente do protagonismo da comunidade na conquista e logo a seguir foram desmentidos pela truculência policial e da CDHU. A comemoração é legítima e a solidariedade decisiva, mas quem vive a situação na pele sabe que nada está garantido sem vigilância constante das próprias pessoas e o protagonismo dos que estão em suas casas todos os dias. Os moradores do Moinho continuam mobilizados e atentos — porque nenhum acordo vale se vier com repressão, remoção forçada ou exclusão territorial. Foram muitas as promessas quebradas durante todos esses anos, e durante todo esse período a comunidade não baixou a guarda. A vitória só será completa quando cada morador tiver habitando suas casas. Uma batalha importante foi vencida, porém a guerra está em curso.
O Moinho mostra que é possível vencer com a solidariedade de classe ativa — sem perder de vista que o principal é a favela organizada, independente e firme que abre caminho para uma vida digna. Que essa luta sirva de exemplo para todo o movimento popular e sindical, mostrando que frente à intransigência do capital e do Estado, somente a luta coletiva e a organização podem vencer!
Organização Socialista Libertária
Maio de 2025
