"A responsabilidade e a disciplina organizacionais não devem horrorizar: elas são companheiras de viagem da prática do anarquismo social."
Nestor Makhno
Entre os dias 18 e 20 de julho de 2025, a Organização Socialista Libertária (OSL) realizou a terceira sessão que encerrou seu primeiro congresso. Estiveram presentes dezenas de militantes das regiões sudeste, centro-oeste, sul e norte do Brasil. Nas duas primeiras sessões, em 2023 e 2024, além da fundação da própria OSL, avançamos em uma série de questões, envolvendo princípios, estratégia geral, formação política e organicidade interna. Nesta terceira sessão avançamos bastante na discussão de conjuntura de médio prazo, estabelecendo uma análise aprofundada do cenário internacional e brasileiro das últimas quatro décadas, e também em nossas linhas estratégicas de atuação sindical, comunitária (urbana e rural) e estudantil.
Em um balanço geral, é possível dizer que o I ConOSL foi um grande e certeiro avanço, mostrando a importância não apenas da unidade política e programática, mas também de um ambiente organizativo marcado por seriedade e compromisso militante.
Em breve, divulgaremos o documento de Análise de Conjuntura de Médio Prazo produzido a partir das análises e debates que levaram ao encerramento da nossa etapa congressual. Neste momento, disponibilizamos trechos do discurso de abertura da terceira sessão congressual e também as saudações que recebemos de outras organizações no mundo.
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SAUDAÇÃO DE ABERTURA DO CONGRESSO
Compas,
Hoje, ao iniciarmos a terceira e última Sessão deste primeiro Congresso, reafirmamos nosso compromisso com a luta e a construção coletiva. Este não é apenas um espaço de debate, mas um marco fundamental na consolidação de nossa organização como ferramenta de emancipação da classe trabalhadora.
Nosso primeiro Congresso tem um objetivo claro: construir as bases de nossa estrutura, para que, no próximo período, possamos nos consolidar como uma organização revolucionária. Sabíamos desde o início que este momento exigiria um trabalho de afirmação pública, de construção de identidade perante outras organizações e setores combativos da luta de classes. Reconhecíamos que, neste primeiro ciclo, não teríamos condições políticas, materiais ou teóricas para atuar como protagonistas diretos nas lutas – mas esse era apenas o começo.
O caminho percorrido
Nas duas sessões anteriores, demos passos decisivos:
- Na 1ª Sessão, estabelecemos nossa identidade, nossos princípios e nossa estratégia geral que guiam nossa ação;
- Na 2ª Sessão, avançamos na formação política e na Carta Orgânica, solucionando questões de estruturação interna e mecanismos de decisão, sempre com os olhos voltados para a transformação social.
Agora, dois anos após nossa fundação – superada a empolgação inicial e os desgastes desse novo processo de (re)construção –, chegou o momento de olhar para o mundo concreto, analisar as condições de luta e traçar as linhas estratégicas que nos levarão adiante.
Nossa situação atual
Podemos afirmar com orgulho que mantivemos a organização funcionando, mesmo com esforço redobrado da coordenação e com militantes acumulando múltiplas tarefas. Em nenhum momento interrompemos nosso trabalho: emitimos notas, construímos análises e participamos ativamente das lutas.
Nossas conquistas
- Demos um salto organizativo, participando ativamente de lutas;
- Consolidamos nossa linha teórica, aplicando o anarquismo à análise da conjuntura;
- Criamos raízes, algo fundamental para um projeto de longo prazo.
Este Congresso não é um fim, mas um ponto de partida. Que saiamos daqui não apenas com resoluções, mas com a firmeza revolucionária de quem sabe que a história é feita pelas mãos daqueles que ousam transformá-la.
À luta, sempre!
Viva a classe trabalhadora!
Viva o Anarquismo e a Revolução!
Viva a Organização Socialista Libertária!
Julho de 2025.
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SAUDAÇÕES DE ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
Organisatie voor Vrij Socialisme - Países Baixos
A Organização para o Socialismo Livre (OVS) da Holanda gostaria de parabenizar todos vocês pela finalização e estabelecimento da Organização Socialista Libertária.
Temos acompanhado sua jornada com grande interesse e estamos impressionados com o que vocês conseguiram estabelecer em tão pouco tempo. A OSL desempenhou um papel significativo na criação da nossa própria organização. Durante o último ano, a OSL nos proporcionou um apoio inestimável, pelo qual somos extremamente gratos. Gostaríamos também de expressar a nossa sincera gratidão ao correspondente internacional da OSL pela sua generosidade em nos ajudar com o seu tempo e energia.
Estamos muito ansiosos pelo desenvolvimento futuro da OSL e por um relacionamento mais profundo e frutífero.
Viva a anarquia, viva a OSL!
Atenciosamente,
Organisatie voor Vrij Socialisme.
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Roja y Negra – Buenos Aires, Argentina
Companheirxs da OSL
Queremos enviar-lhes uma saudação fraterna da Roja y Negra de Buenos Aires nesta nova etapa que iniciam com este Congresso. Neste momento que vivemos na América Latina, devemos fortalecer os laços de unidade entre as nossas organizações, pois somente com a luta conjunta podemos construir um futuro mais justo e livre de opressão.
As experiências demonstram que a organização é a arma fundamental dos povos. Cada batalha travada, cada passo dado, cada ensinamento construído a partir do anarquismo é uma ferramenta inestimável no caminho para a transformação social. Nesse sentido, reafirmamos a nossa intenção de trabalhar lado a lado, entendendo que somente com a união das nossas forças poderemos enfrentar os desafios que o sistema patriarcal e capitalista nos impõe.
Esperamos poder estreitar ainda mais os laços que nos unem, fortalecer os nossos espaços de encontro e continuar caminhando juntos neste projeto de sociedade.
Arriba lxs que luchan
Roja y Negra – Organización Política Anarquista de Buenos Aires.
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Construcción Anarquista Federal Argentina – Argentina
SAUDAÇÃO DA CAFA DA ARGENTINA À OSL DO BRASIL
Nós, organizações que integramos a CAFA (Construção Anarquista Federal Argentina), queremos enviar uma calorosa saudação à nossa organização irmã OSL do Brasil neste seu primeiro Congresso fundacional que acontecerá neste mês.
Nestes momentos difíceis para a classe trabalhadora, em que surgem novas formas de dominação capitalista a nível mundial e regional, face ao fracasso das vias estatistas para o socialismo e a liberdade, seu congresso é um enorme impulso para aqueles que sonham com um mundo novo, sem opressores nem oprimidos.
Num cenário mundial em que um império emergente colide com outro em decadência e a sombra de um conflito bélico de alcance mundial volta a pairar sobre a humanidade, a unidade dos anarquistas em organizações que possam unir os seus esforços na luta torna-se prioritária e os seus lemas históricos, como o internacionalismo, assumem uma atualidade vertiginosa.
Saudamos com entusiasmo o seu congresso e entendemos que ele alimenta um importante músculo do especifismo latino-americano do qual fazemos parte.
Num mundo que se torna mais ameaçador para os trabalhadores e as trabalhadoras, o dualismo organizacional e a inserção social como elementos estruturais do anarquismo especifista são a estratégia que nós anarquistas devemos seguir para sermos um fator útil na emancipação do povo trabalhador das garras do capital.
Esperamos que, nos tempos que se avizinham, os nossos laços de solidariedade se fortaleçam e que o seu crescimento se reflita em cada luta do povo pela sua emancipação.
¡ARRIBA LOS Y LAS QUE LUCHAN!
¡POR EL SOCIALISMO Y LA LIBERTAD!
¡VIVA LA ANARQUÍA!
CAFA
FEDERACIÓN ANARQUISTA DE ROSARIO (FAR)
ORGANIZACION ANARQUISTA DE CORDOBA (OAC)
ORGANIZACION ANARQUISTA DE TUCUMAN (OAT)
ORGANIZACION ANARQUISTA DE SANTA CRUZ (OASC)
ORGANIZACION RESISTENCIA ANARQUISTA (ORA Bs As)
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Anarchist Communist Federation (ACF) – Austrália
Caros camaradas,
A Federação Anarquista Comunista (ACF) da Austrália acolhe com grande satisfação a fundação da Organização Socialista Libertária (OSL). A Organização Socialista Libertária é um grande passo em frente para a formação de uma organização política anarquista nacional no Brasil de maneira ativa. Especialmente quando a OSL é o resultado de três décadas de construção do especifismo em seu país e, de modo geral, na América Latina.
Alguns de nós temos acompanhado há alguns anos os desenvolvimentos nas formações comunistas anarquistas e especifistas e as suas atividades no Brasil, bem como a sua jornada rumo à construção de uma única organização política anarquista, com o objetivo de alcançar todas as regiões do Brasil.
Tal como a OSL, a Federação Comunista Anarquista da Austrália é uma organização muito recente, tendo sido lançada em 1º de maio de 2025. Os Anarquistas Comunistas Meanjin (ACM), os Anarquistas Comunistas de Geelong (GAC) e o Grupo Anarquista Comunista de Melbourne (MACG) tornaram-se os ramos fundadores da nossa Federação. Estamos em diálogo há mais de quatro anos, discutindo o nosso trabalho político, aconselhando e cooperando sempre que possível. Este processo permitiu-nos desenvolver as nossas competências e capacidade para um trabalho coletivo mais aprofundado, incluindo conferências bem-sucedidas em 2024 e 2025.
Tal como vocês, formamos a Federação Anarquista Comunista porque queremos ser eficazes. É por isso que exigimos um elevado nível de acordo teórico e prático entre os membros. Se não conseguirmos chegar a um acordo, não podemos trabalhar juntos. E se não conseguirmos ser específicos e determinados nesse trabalho, desperdiçaremos a nossa energia revolucionária.
Tal como vocês, também reivindicamos o dualismo organizacional, ou seja, anarquistas trabalhando em movimentos populares (nível social) e também em organizações políticas específicas (nível político).
Queremos derrubar o capitalismo. Se estivermos organizados, podemos usar a nossa posição para derrubar a velha ordem e libertar-nos. Juntos, podemos construir um mundo onde controlamos o nosso trabalho e garantimos que as necessidades de cada pessoa sejam satisfeitas. Com isto em mente, analisamos a opressão social através da lente da luta de classes. Nenhuma forma de opressão pode ser erradicada sem acabar com o capitalismo, e o capitalismo não pode ser abolido enquanto a classe trabalhadora permanecer dividida. É por isso que dizemos: “Afeta um, afeta todos”.
Para mudar a sociedade, precisamos de uma revolução. Não há caminho legal para o socialismo. Os capitalistas não permitirão que sejam simplesmente eliminados por meio de votos. Isso molda os métodos que usamos para nos organizar e as estratégias que empregamos.
Por isso, saudamos este tremendo avanço do anarquismo organizado no Brasil!
Boa sorte com o seu Congresso!
Viva a OSL! Viva o anarquismo organizado no Brasil!
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Embat – Catalunha, Espanha
Saudações da Embat ao congresso da OSL
Companheiros e companheiras,
Com grande entusiasmo e espírito revolucionário, a Embat, organização anarquista da Catalunha, os saúda cordialmente por ocasião de seu Congresso da OSL.
Hoje, enquanto se lançam as bases da coordenação europeia e internacional do anarquismo organizado, escreve-se a partir de sua terra um novo capítulo na luta por um mundo melhor. É com sua ajuda e contribuições nestes espaços que nos reconhecemos na construção da autogestão, da ajuda mútua e do socialismo libertário, que é uma inspiração para todos aqueles que acreditam no poder popular.
Como organização irmã, partilhamos seus valores e aspirações expressos na sua história, que precede a sua própria existência como organização. Acreditamos que, através da solidariedade, da colaboração e de um compromisso inabalável com a justiça social, juntas podemos criar um mundo em que a opressão, a exploração e a dominação sejam coisa do passado.
Os encorajamos a agir com coragem e determinação. Vamos superar os desafios que temos pela frente. A história nos ensina que os movimentos de baixo, da classe, quando se unem estrategicamente por um objetivo comum, podem alcançar o que parece impossível.
Vamos seguir juntas este caminho para construir um mundo verdadeiramente livre e igualitário. Um mundo em que a voz do povo esteja no centro da vida e da sociedade.
Viva o Socialismo Libertário!
Viva o Poder Popular!
Embat, Organització Llibertària de Catalunya
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Union Communiste Libertaire – França
Camaradas,
A UCL envia-vos os seus cumprimentos pelo vosso congresso, após dois anos de existência! Esperamos que este congresso seja um momento de camaradagem e que vos permita implementar ações concretas capazes de influenciar a sociedade.
Aproveitamos esta mensagem para propor um artigo em nosso jornal sobre sua organização e as lutas que vocês travam, a fim de conhecê-los melhor.
Além disso, por meio da coordenação internacional do anarquismo organizado, garantimos total apoio às suas lutas, que se inscrevem nessa magnífica luta mundial pelo comunismo libertário!
Viva a OSL, viva o comunismo libertário, viva o internacionalismo!
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Federación Anarquista Uruguaya – Uruguai
Companheiros e companheiras da OSL:
Da Federação Anarquista Uruguaia, enviamos uma fraterna saudação a esta importante instância de sua Organização.
Desejamos a vocês um rico intercâmbio que resulte em resoluções que fortaleçam a organização e a luta por um mundo mais justo, livre e solidário para os e as de baixo.
¡Salú compañeros!
¡Salú compañeras!
¡Arriba los y las que luchan!
¡Por el socialismo y la libertad
Federación Anarquista Uruguaya
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Saudações da MIDADA - Suíça
Queridas e queridos camaradas,
Enviamos a vocês nossas saudações e votos de sucesso para o seu congresso. Cada congresso marca uma etapa na vida de uma organização, especialmente para uma organização recém-fundada. Por isso, nos alegramos com a celebração deste momento. A tarefa que vocês assumiram é difícil. Já o seria em tempos "normais", mas o período particular que estamos vivendo a torna especialmente árdua.
As configurações nacionais e internacionais que enfrentamos não são totalmente novas, mas produzem situações inéditas (ou renovadas). As dinâmicas se intensificam. À medida que diversos elementos do status quo desmoronam no plano internacional, os ataques contra nossa classe se ampliam no plano nacional. A desumanização avança em um ritmo vertiginoso. A própria noção de valor humano parece estar à beira da extinção. A ideia de igualdade, mesmo em sua concepção mais básica, corre o risco de ser reduzida a nada.
O tecnofascismo está prestes a ultrapassar um limiar. Talvez já o tenha ultrapassado. Ele já delineia os contornos de um absolutismo e de um servilismo pós-modernos. Estamos além da nostalgia das ditaduras militares do século XX. Os tecnobilionários já se veem como monarcas. Eles reivindicam abertamente um mundo de novas "cidades-Estado". Os libertarianos (liberais) não defendem mais um capitalismo sem Estado ou um Estado puramente regulador. Eles querem que suas empresas se tornem o Estado.
Teremos que enfrentar contradições inéditas. Precisaremos estar preparados para analisar tanto o antigo quanto o novo. Nesse sentido, corremos dois riscos principais:
- 1. Não enxergar algo novo, por estarmos presos em raciocínios automatizados.
- 2. Não perceber o que persiste, se adapta e se desenvolve, se descartarmos todas as nossas ferramentas sob o pretexto de que não servem mais para entender uma nova realidade.
É possível que vejamos, entre nossos inimigos, forças convergindo que, aparentemente, não compartilham os mesmos objetivos. A ponto de essa convergência exigir o abandono completo dos objetivos tradicionais de um setor ou outro. Também entre nossos adversários, poderemos observar resistências contra a assimilação ou o abandono. Portanto, há ainda o risco de interpretarmos mal essas dinâmicas, caso elas se manifestem.
Teremos que redobrar nossa firmeza e lucidez. Precisaremos impedir a cooptação de elementos populares por eventuais lutas que alguns setores inimigos possam travar por sua própria sobrevivência.
Mais do que nunca, o inimigo do meu inimigo não será necessariamente meu amigo.
Isso não significa a impossibilidade de uma eventual nova "frente republicana". Mas ela só será viável com concepções avançadas e profundamente enraizadas de igualdade. Provavelmente, teremos que travar uma luta ideológica ferrenha sobre igualdade e direitos fundamentais, além de nossas concepções programáticas gerais.
"A liberdade dos outros, longe de ser uma limitação à minha, é, ao contrário, sua condição necessária e sua confirmação."
Essa frase de Bakunin ressoa hoje com uma força renovada. Cada ataque à humanidade de um grupo específico é uma ameaça de aniquilamento para todos nós. Cada limitação de direitos de um grupo particular arrisca lançar quase toda a humanidade em um servilismo pós-moderno.
A igualdade e os direitos estão no centro da guerra deles. Seu novo absolutismo, para nascer, precisa erradicá-los por completo. Temos que encontrar meios de articular o universalismo das lutas das chamadas "minorias". Alguns setores do progressismo e da esquerda se esforçam para atomizar as diversas categorias dos de baixo — às vezes para não enfrentar o status quo, às vezes para reivindicar uma espécie de "liderança revolucionária" em nome de representar tal ou qual identidade, uma nova vanguarda produzida pelas tentativas de salvar o mecanismo teológico.
A mentalidade das organizações não governamentais substituiu elementos da concepção clássica de classes sociais. Antes, era preciso um agente disciplinado pela máquina para liderar a revolução. Agora, é quem mais sofre que tem o "direito" de ser o novo peão. Cada partido disputa a maneira de medir o sofrimento dos diversos agentes.
Nossa tarefa será especialmente difícil. Não se trata, claro, de apagar as realidades específicas de dominação e exploração das diversas categorias oprimidas. Trata-se de frear a fragmentação e reconstruir unidades. Talvez também seja preciso encontrar formas de fazer emergir o universalismo em cada situação particular. Bakunin já nos deu, talvez, uma das chaves para a solução.
Já falamos demais. Lamentamos não ter elaborado essas reflexões com mais clareza — elas ainda estão em processo, inacabadas. Nossas palavras são um rascunho, não devem ser tomadas como mais do que isso.
Camaradas, saudamos vocês calorosamente!
Nossa organização, Midada, tem orgulho de ser considerada uma de suas irmãs.
Arriba as e os que lutam!
