Para além das ilusões eleitorais: reorganizar as classes oprimidas e construir o poder popular autogestionário

1. A crise da estratégia democrático-popular e os limites da via institucional

A conjuntura brasileira segue aprofundando as contradições que atravessam o movimento sindical, popular e estudantil. Em mais um ciclo eleitoral, volta a ser apresentada como única alternativa a disputa por governos e instituições do Estado. A experiência das últimas décadas, entretanto, evidencia os limites da estratégia democrático-popular, hegemônica em amplos setores da esquerda e que tem no Partido dos Trabalhadores (PT) sua principal expressão. Essa estratégia colocou a disputa eleitoral e a gestão do Estado no centro da atuação política, subordinando progressivamente a organização popular aos calendários, às alianças e à lógica da institucionalidade das classes dominantes.

Esse processo foi acompanhado por uma estratégia de conciliação de classes e pela adaptação às instituições burguesas e burocráticas, contribuindo para enfraquecer a capacidade independente de organização e resistência das classes oprimidas. As sucessivas derrotas e ataques — como as reformas trabalhista e previdenciária, as privatizações, a precarização dos serviços públicos, a violência contra povos indígenas, camponeses e moradores das periferias, e a manutenção da dependência e da subordinação econômica do país — demonstram os limites dessa orientação.

Também se mostrou equivocada a ideia de que a ocupação progressiva das instituições das classes dominantes pelos setores oprimidos levaria, por meio de uma acumulação gradual de forças, a uma ruptura sistêmica. A experiência parece ter produzido, em grande medida, o movimento inverso: não foram as classes oprimidas que transformaram progressivamente as instituições burguesas e burocráticas, mas foi a própria institucionalidade que impôs seus limites, regras e interesses àqueles que passaram a ocupá-la. Em vez de tornar as instituições mais socialistas, a integração institucional aproximou setores da esquerda da lógica do Estado capitalista e, consequentemente, dos interesses das classes dominantes.

Esse problema não se restringe às organizações diretamente vinculadas à estratégia democrático-popular. Mesmo organizações socialistas que partem de estratégias distintas não estão imunes a essa dinâmica. A hegemonia da lógica institucional e a centralidade adquirida pela disputa eleitoral exercem uma pressão permanente para que diferentes organizações reproduzam, ainda que parcialmente, mecanismos de adaptação, eleitoralismo e subordinação da luta social à institucionalidade das classes dominantes. Romper com esse ciclo é condição para reconstruir uma perspectiva independente de organização e luta.

2. O governo Lula-Alckmin e o rebaixamento da conciliação de classes

É nesse quadro que deve ser compreendida a experiência do governo Lula-Alckmin. Sua eleição foi apresentada por grande parte da esquerda e setores do campo progressista como o principal instrumento para “combater o fascismo”, defender a soberania nacional diante do imperialismo e interromper a ofensiva neoliberal. Entretanto, a experiência concreta do governo evidencia a permanência de elementos fundamentais da agenda das classes dominantes.

A política econômica continua subordinada aos interesses do capital financeiro, enquanto o ajuste fiscal impõe limites aos gastos sociais. Privatizações, terceirizações e mecanismos de precarização permanecem presentes, sem que tenha ocorrido uma reversão estrutural das reformas que atacaram direitos trabalhistas e sociais. O governo administra contradições reais e implementa políticas distintas da extrema-direita; contudo, permanece não apenas submetido aos limites estruturais do sistema capitalista-estatista como, também, incapacitado de avançar em reformas substanciais.

Dinâmica que se torna ainda mais problemática quando observamos a atuação dos partidos reformistas e governistas nas instâncias dos sindicatos e movimentos sociais. As diferentes lutas, greves, ocupações, mobilizações por moradia e em defesa dos territórios encontram obstáculos justamente por parte dos setores que priorizam a estabilidade política do governo e a preservação de sua base institucional em detrimento da radicalização das mobilizações.

Em uma perspectiva anarquista, esse não é um problema meramente relacionado às intenções de determinados governantes. O governo administra o Estado, que permanece sendo um instrumento de manutenção das relações de poder existentes e um instrumento político cuja natureza está intrinsecamente vinculada às classes dominantes — é a própria dinâmica do sistema capitalista-estatista. Esse é o limite estrutural de qualquer governo, por mais bem-intencionado que seja. Não depositamos esperança em governos para realizar rupturas capazes de transformar profundamente a vida das classes oprimidas. As mudanças efetivas — e mesmo a defesa das conquistas já existentes — dependem da capacidade de organização e mobilização, com independência de classe, dos trabalhadores e dos setores mais oprimidos e precarizados.

Isso não significa, porém, indiferença diante da ação dos governos. Ao contrário: é necessário enfrentar suas políticas quando elas atacam os interesses das classes oprimidas e, sobretudo, combater qualquer tentativa de paralisar as lutas sociais em nome da governabilidade. No caso do atual governo, a retórica é distinta daquela da extrema-direita, mas determinadas políticas neoliberais continuam impondo custos aos trabalhadores e à própria sobrevivência da população que depende das estruturas públicas, como educação e saúde. O problema central, portanto, é impedir que a expectativa de mudanças pela via institucional desmobilize as lutas e enfraqueça a capacidade de organização e resistência independente.

3. A polarização eleitoral e os limites dos projetos em disputa

A polarização eleitoral tende a aprofundar essa dinâmica, ao apresentar a disputa pelo governo como se ela fosse a única capaz de definir os rumos fundamentais da sociedade. Os diferentes blocos políticos disputam a direção do Estado, apresentam discursos e programas distintos e mobilizam diferentes setores sociais. Ainda assim, permanecem submetidos aos limites de uma estrutura que possui enorme força para condicionar as ações políticas, partidárias e eleitorais.

De um lado, setores da extrema-direita defendem abertamente uma agenda reacionária, neoliberal, punitivista e alinhada aos interesses imperialistas. De outro, o governo e a frente política que o sustenta apresentam-se como barreira ao “fascismo”, mas mantêm mecanismos de ajuste fiscal, conciliação rebaixada com o capital financeiro, terceirizações e privatização de serviços.

Isso não significa afirmar que os diferentes projetos sejam idênticos ou que suas consequências imediatas sejam indiferentes para os trabalhadores. Significa reconhecer que a alternativa para as classes oprimidas não pode se limitar à escolha de qual bloco administrará o Estado e o próprio capitalismo brasileiro. A polarização, quando transforma a defesa de um projeto institucional em horizonte estratégico, tende a recolocar os trabalhadores na condição de espectadores de uma disputa que deveria ser enfrentada a partir de sua própria força organizada.

É justamente por isso que é preciso construir uma posição independente diante do processo eleitoral e dos diferentes projetos que disputam a administração do Estado e do capitalismo. A tarefa não é escolher qual projeto institucional administrará a crise permanente, mas fortalecer a capacidade dos trabalhadores de enfrentá-la pela luta direta.

4. Imperialismo, soberania e internacionalismo

A conjuntura eleitoral de 2026 também está marcada por fortes tensões internacionais. A ofensiva do governo Donald Trump contra o Brasil, expressa no tarifaço sobre produtos brasileiros, na evocação discursiva da Doutrina Monroe e em iniciativas de ingerência sobre a política brasileira, demonstra que a disputa nacional não pode ser separada das disputas interimperialistas e da defesa da autodeterminação dos povos.

Ao mesmo tempo, conflitos diplomáticos com governos da região evidenciam o agravamento das tensões na América Latina. Diante desse cenário, é necessário rejeitar tanto a subordinação aos interesses do imperialismo quanto a ideia de que defender a soberania nacional significa apoiar politicamente qualquer forma de nacionalismo policlassista e/ou o governo brasileiro.

A soberania que interessa aos trabalhadores é aquela construída pela capacidade de decisão e organização pelas próprias classes oprimidas, e não a autonomia dos governos para administrar os interesses das classes dominantes. Não podemos substituir a solidariedade internacional entre trabalhadores e povos pela defesa de Estados nacionais.

Essa questão também exige uma crítica ao enquadramento nacionalista presente em parte das estratégias da esquerda brasileira, sobretudo quando a conjuntura eleitoral exige respostas rápidas e aparentemente simples. Quando a tática e o programa subordinam os eixos internacionalistas a uma conjuntura estritamente nacional, corre-se o risco de limitar a compreensão da luta de classes aos marcos do estado-nação e de enfraquecer sua articulação com a dinâmica internacional do capitalismo e do estatismo.

A exploração capitalista, a ação do imperialismo e as crises econômicas ultrapassam fronteiras nacionais. Por isso, a denúncia das amarras imperialistas não pode se limitar à defesa de soluções nacionais. Ela precisa estar articulada à construção da solidariedade internacional da classe trabalhadora e à perspectiva de uma transformação revolucionária em escala internacional.

Ou seja, o internacionalismo não significa ignorar as particularidades nacionais nem deixar de enfrentar a dominação imperialista sobre o Brasil. Significa compreender que essa luta está inseparavelmente ligada à luta dos trabalhadores de outros países contra suas próprias classes dominantes e contra as estruturas internacionais e transnacionais do capital. Uma alternativa socialista libertária deve partir das condições concretas de cada país, mas precisa buscar permanentemente sua articulação com uma perspectiva internacional de emancipação popular.

5. Precarização e violência

Enquanto a disputa institucional se intensifica, a situação econômica e social continua produzindo efeitos concretos sobre a maioria da população. Juros elevados, restrição do crédito, endividamento das famílias, crescimento das recuperações judiciais e dificuldades enfrentadas por trabalhadores e pequenos produtores revelam uma crescente precarização da vida e os limites de uma economia organizada em função da valorização do capital.

Essas contradições não aparecem apenas nos indicadores econômicos. Elas se expressam diretamente nas condições de trabalho, no acesso aos serviços públicos e na dificuldade de milhões de pessoas em garantir condições mínimas de existência.

No campo e nos territórios indígenas, a violência permanece uma realidade estrutural. Assassinatos, expulsões, conflitos fundiários e violações de direitos demonstram que a defesa dos povos originários e das populações camponesas não pode depender exclusivamente da ação institucional. Da mesma forma, nas periferias urbanas, a violência cotidiana é utilizada como justificativa para o fortalecimento de políticas cada vez mais repressivas.

A crise social, portanto, não produz apenas precarização econômica. Ela também alimenta mecanismos de controle, criminalização e repressão que atingem de maneira particularmente intensa os setores mais explorados e oprimidos.

6. Segurança pública, punitivismo e repressão estatal

É nesse contexto que a segurança pública se tornou um dos principais terrenos da disputa política. Diante do crescimento da violência, diferentes projetos apresentam respostas baseadas no fortalecimento do aparato estatal de “segurança”. O governo Lula responde ao problema principalmente por meio do reforço das estruturas estatais de repressão, enquanto setores da direita defendem modelos ainda mais autoritários, inspirados em experiências como a de Nayib Bukele, em El Salvador.

Prisões em massa, ampliação do encarceramento, suspensão de garantias e utilização das Forças Armadas como instrumento de policiamento são apresentadas como soluções para combater a violência, intensificada pela própria dinâmica das instituições do sistema capitalista-estatista. Essas propostas, entretanto, aprofundam a criminalização da pobreza e das periferias e fortalecem o aparato repressivo sem enfrentar as raízes sociais da violência.

Desigualdade, ausência de perspectivas para milhões de jovens, tráfico de armas e interesses econômicos associados ao narcotráfico não são enfrentados pelo simples aumento da repressão. Ao contrário, a expansão do aparato policial e penitenciário tende a aprofundar as condições que alimentam essa violência.

Portanto, a alternativa não está entre diferentes modelos de fortalecimento do aparato repressivo. É preciso enfrentar as condições sociais que produzem a violência e, ao mesmo tempo, combater a militarização, a criminalização da pobreza e a repressão contra os setores populares.

7. As lutas sociais e os caminhos da ação direta

Se a via institucional demonstra seus limites, as experiências de luta dos últimos anos apontam para outro caminho. As mobilizações dos entregadores, as lutas da educação, as greves e resistências nos Correios e na Petrobras, as mobilizações por moradia e as lutas dos povos indígenas e das comunidades ameaçadas de despejo demonstram que conquistas concretas dependem da capacidade de organização coletiva e da ação direta dos trabalhadores.

Mesmo quando derrotadas ou parcialmente isoladas, essas mobilizações revelam a força da solidariedade, da auto-organização e da capacidade das classes oprimidas de interferirem diretamente na realidade. Elas também demonstram que existe um conflito crescente entre as necessidades concretas dos trabalhadores e a tentativa de subordinar suas lutas aos projetos eleitorais e às necessidades de governabilidade.

Essa experiência é fundamental porque aponta para uma concepção diferente de transformação social. Em vez de esperar que governos e instituições burguesas e burocráticas produzam mudanças em nome dos trabalhadores, trata-se de construir a capacidade dos próprios trabalhadores e setores populares de lutar, decidir e organizar a vida social.

A ação direta não deve ser compreendida apenas como uma técnica de mobilização. Ela expressa uma perspectiva política na qual os sujeitos da transformação são os próprios setores explorados e oprimidos, organizados coletivamente e capazes de construir, desde as lutas concretas, formas de poder independentes do Estado e do capital.

8. A crise da esquerda institucional e das novas lideranças

É justamente nesse ponto que se evidencia a crise das chamadas “novas lideranças” da esquerda institucional. No passado recente, essa renovação se dava por setores que surgiam vinculados a movimentos populares e eram apresentados como alternativas. Entretanto, acabaram, em diferentes graus, incorporados à lógica da institucionalidade e da disputa eleitoral.

Esse problema, porém, vai além da simples institucionalização de lideranças que nasceram das lutas. Em grande parte da esquerda atual, a própria renovação dos quadros passou a ocorrer segundo a lógica das redes sociais e dos algoritmos. A visibilidade e a capacidade de comunicação digital vêm ocupando um espaço que antes era construído pela experiência organizativa, pelo trabalho de base e pela participação concreta nas lutas da classe trabalhadora.

Agora, a verborragia que funciona nas redes não necessariamente se converte em força social organizativa ou em capacidade de radicalização das lutas concretas. A popularidade digital pode produzir reconhecimento público, mas não substitui a construção de organizações com presença permanente nos locais de trabalho, de estudo e de moradia.

Essa contradição aparece quando confrontamos o discurso revolucionário com a realidade da organização. Fala-se em “revolução brasileira”, ruptura e transformação social, mas pouco se avança na construção de organizações com capilaridade nas bases, na formação política de militantes e na capacidade de sustentar lutas prolongadas.

A promessa de renovação política sem ruptura com o eleitoralismo reproduz, assim, limites já conhecidos. Se antes lideranças forjadas nas lutas sociais eram progressivamente incorporadas às instituições e afastavam-se de suas bases, hoje surge também um fenômeno novo: lideranças formadas desde o início tendo como horizonte a disputa eleitoral, a visibilidade nas redes e uma espécie de “marketing socialista”.

O resultado é uma forma de eleitoralismo que participa da própria formação das lideranças. Em vez de quadros construídos nas lutas que posteriormente se institucionalizam, temos personagens políticos moldados desde sua origem pela necessidade de disputar espaço nas redes e nas eleições, com o horizonte limitado às instituições burguesas e burocráticas.

Portanto, o desafio não é simplesmente produzir novas lideranças ou renovar os nomes da esquerda. É reconstruir as condições para que novos quadros sejam forjados pela própria luta de classes. Isso significa recuperar o trabalho de base, a formação militante, a organização nos locais de trabalho, de estudo e de moradia, assim como a capacidade de transformar indignação em organização permanente.

Mais do que novas figuras públicas, precisamos construir uma nova geração de militantes enraizados nas bases, capazes de vincular o discurso de transformação social à prática concreta da luta classista e revolucionária.

9. Da crise de organização à reconstrução pela base

A crítica à institucionalização só adquire sentido se estiver vinculada a uma proposta concreta de reorganização. Não existe uma saída simplesmente eleitoral para a crise de organização da classe trabalhadora. A tarefa central, neste momento, é reconstruir uma perspectiva independente, capaz de organizar trabalhadores e setores populares a partir de suas necessidades concretas.

Isso exige fortalecer a organização de base, especialmente entre os setores mais precarizados; reconstruir sindicatos e movimentos sociais como instrumentos de luta permanente; articular diferentes categorias e movimentos; desenvolver formas de organização que não estejam subordinadas a governos, partidos eleitorais ou instituições do Estado.

Essa reconstrução não pode ocorrer apenas por meio de declarações políticas. Ela precisa ser realizada no cotidiano, nos locais em que a prática política realmente ocorre, a partir das lutas concretas e das necessidades que mobilizam os trabalhadores e setores populares.

É nesse terreno que deve ser construída uma nova cultura política: uma cultura baseada na solidariedade, na democracia direta, na participação coletiva, na autonomia e na ação direta.

Reorganizar a classe trabalhadora significa, portanto, reconstruir vínculos, confiança e capacidade de luta. Significa transformar a indignação dispersa em força social coletiva e fazer com que cada luta possa contribuir para uma organização mais permanente e consciente.

10. Da descrença nas instituições à construção do poder popular autogestionário

A crescente descrença nas instituições não deve ser apropriada pela extrema-direita, que procura transformá-la em autoritarismo, discurso nacionalista e repressão. Tampouco deve ser canalizada para novas promessas de renovação eleitoral que preservem as estruturas existentes.

Essa crise de confiança pode adquirir outro significado quando vinculada à construção de organizações enraizadas no cotidiano. A descrença pode transformar-se em solidariedade; a indignação, em mobilização; e a mobilização, em organização coletiva capaz de disputar diretamente as condições de vida.

A alternativa à política institucional burguesa não é a apatia nem o autoritarismo. É a construção de formas de poder popular autogestionário que permitam aos trabalhadores e setores das classes oprimidas intervir diretamente sobre as decisões que afetam suas próprias vidas.

Esse poder não deve ser compreendido como a conquista do Estado, ou de algumas posições privilegiadas dentro dele. Trata-se de construir, a partir das bases, organismos de organização e decisão capazes de enfrentar o poder do capital e do Estado e, ao mesmo tempo, criar formas de gestão coletiva da sociedade.

É nessa perspectiva que a autogestão deixa de ser apenas um princípio abstrato e passa a constituir um horizonte político: a possibilidade de que aqueles que produzem a riqueza e sustentam a sociedade possam decidir diretamente sobre sua produção, distribuição e organização.

A construção desse caminho exige reafirmar uma perspectiva classista, internacionalista e socialista libertária. A defesa dos interesses da classe trabalhadora precisa unir as lutas contra a dominação capitalista-estatista às lutas contra todas as formas de dominação e opressão. É necessário enfrentar o racismo, o patriarcado, a violência estatal e a destruição ambiental; defender os territórios indígenas e camponeses; combater todas as formas de exploração e opressão; e construir uma sociedade na qual as decisões econômicas e políticas estejam submetidas às necessidades coletivas.

11. Construir a alternativa pela luta

Vivemos um período marcado por turbulências econômicas, ofensiva imperialista, avanço do autoritarismo, desigualdade e profunda crise de organização política das classes oprimidas. Nesse cenário, a principal tarefa dos movimentos populares não é escolher o melhor projeto para administrar a crise, mas reconstruir a capacidade de luta e do conflito de classes.

Romper com a institucionalização burguesa e burocrática não significa abandonar a realidade política ou ignorar os efeitos concretos das decisões dos governos. Significa deixar de depositar neles o centro de nossa estratégia. Compreender que cada conquista duradoura depende da força social organizada daqueles que lutam por ela e que nenhuma instituição do sistema capitalista-estatista poderá substituir a capacidade coletiva construída pela própria classe trabalhadora.

O desafio é transformar as lutas fragmentadas em força social organizada, articular sindicatos, movimentos sociais, organizações estudantis, coletivos territoriais e demais formas de resistência e construir uma perspectiva comum a partir das bases. Trata-se de reconstruir, no cotidiano, a partir de já, uma força social capaz de enfrentar o capital, o Estado e todas as formas de dominação.

É dessa organização cotidiana, das lutas concretas, da ação direta e da solidariedade entre os explorados e oprimidos que poderá surgir um horizonte de transformação social. Um horizonte que não dependa das ilusões eleitorais nem da substituição de governantes, mas da capacidade organizada daqueles que produzem a riqueza e sustentam a sociedade de construir novas formas de poder, baseadas na democracia direta, na autogestão, no federalismo, na solidariedade e no internacionalismo.

É pela luta e pela organização desde a base que poderemos superar a desorganização, romper com a institucionalização e construir uma alternativa socialista libertária.

Organização Socialista Libertária
Setembro de 2026