Organizar as comunidades para derrubar o agronegócio, a especulação imobiliária e a violência policial
O estado de São Paulo vive uma nova escalada de despejos forçados, remoções violentas e repressão policial, aprofundando a crise social e a violação sistemática do direito à moradia. Mas o que acontece em São Paulo não é um caso isolado: em todo o país, comunidades inteiras estão sendo ameaçadas, removidas e silenciadas em nome da especulação imobiliária, da “revitalização urbana” e dos grandes projetos de interesse do capital.
Os motivos que impulsionaram o nascimento da Campanha Despejo Zero, que nasceu durante a pandemia, seguem atuais e a mobilização mais urgente do que nunca. Calcula-se que mais de 330 mil famílias estejam ameaçadas por despejo em todo o país, na grande maioria pobres, e sem qualquer alternativa habitacional oferecida pelo poder público. Em São Paulo, movimentos sociais, ocupações urbanas e os povos das periferias têm construído uma jornada de lutas que terá como marco uma grande mobilização unificada nesta quarta, dia 11 de junho. Um forte ato poderá estimular ações em outras partes do país, impedindo que setores governistas segurem a luta para preservar suas alianças com setores do agronegócio e da especulação imobiliária urbana.
Em São Paulo, a Campanha Despejo Zero se rearticulou a partir da urgência e da gravidade dos abusos cometidos pelo Estado na Favela do Moinho, no centro da capital. A repressão, a criminalização e a tentativa de remoção violenta naquela comunidade histórica geraram forte reação popular, solidariedade e mobilização. Essa resistência culminou em uma vitória concreta frente ao governo estadual de Tarcísio de Freitas e à prefeitura comandada por Ricardo Nunes, que tiveram de recuar diante da organização das famílias e da pressão dos movimentos. Essa conquista demonstrou que a luta coletiva pode barrar a política de despejos — e é justamente por isso que a campanha renasce e se mostra ativa em São Paulo, e com potencial de ampliação: há dezenas de outros conflitos semelhantes em curso, e nenhuma família deve ser deixada para trás.
A política de remoções tem como motor os interesses da especulação imobiliária e a valorização de territórios urbanos à custa da expulsão dos pobres. Trata-se de uma verdadeira higienização social, promovida com o aval e ação do poder público, que criminaliza a pobreza e a luta pelos direitos mais básicos. Crianças, mulheres, idosos e a população em situação de rua estão entre os mais afetados por essa política de exclusão violenta.
As respostas do Estado têm sido marcadas pela dura violência policial. A repressão da polícia militar, sob comando do governo Tarcísio de Freitas e do secretário de segurança Guilherme Derrite, expressa o caráter autoritário e higienista dessa política: proteger os interesses dos ricos e criminalizar a resistência dos pobres.
Frente a esse cenário de brutalidade e injustiça, é necessário reafirmar: nenhum despejo pode ser tolerado sem luta! A cidade não pode ser tratada como mercadoria. Não se pode mais tolerar que, em um país com milhões de imóveis vazios, centenas de milhares de famílias sigam ameaçadas de despejo.
A Campanha Despejo Zero deve construir um plano de lutas nacional que privilegie a ação nas ruas e não fique preso a conchavos com parlamentares e à propaganda em redes sociais. É urgente uma resposta à altura da gravidade da crise habitacional que atinge o Brasil. É preciso pôr fim às remoções forçadas, suspender imediatamente as reintegrações de posse sem alternativa habitacional e adotar uma política pública efetiva, que regularize ocupações, desaproprie terrenos ociosos e garanta o direito à moradia.
No dia 11 de junho, às 14 horas, com concentração na Praça da República, ocuparemos as ruas de São Paulo junto aos movimentos populares para dizer basta! Basta de despejo! Basta de violência policial! Basta de governos serviçais ao capital que aprofundam o sofrimento das classes oprimidas!
Despejo Zero, moradia digna já!
Abaixo a repressão ao povo trabalhador!
Organização Socialista Libertária
Junho de 2025
