A PUC de São Paulo iniciou nos últimos dias uma ofensiva de repressão contra estudantes que estão em luta, ocupando e paralisando as aulas contra a precarização da universidade e a elitização do ensino. Em vez de buscar atender às reivindicações legítimas das e dos estudantes, a reitoria ameaça os piquetes e a ocupação estudantil com a força policial, e conseguiu reintegração de posse, que pode ser cumprida a qualquer momento.
Em todo o Brasil, estudantes têm proposto o debate do acesso e permanência na universidade, pautando a ampliação das políticas de cotas e de permanência efetivas e reais. Umas das grandes expressões dessa luta tem sido a pauta por cotas para pessoas trans, levando a ações e manifestações, como as ocupações em diversas universidades.
Na PUC-SP não é diferente, e a mobilização que aconteceu na última semana por ações da instituição contra os casos de racismo na universidade ganhou novos contornos e coloca na mesa toda a situação do setor estudantil.
O contexto que une os estudantes nessa mobilização relaciona a resistência da universidade à ampliação do acesso e o teto que caiu essa semana, que podia ter atingido estudantes, funcionários e professores. Se trata da posição de garantia de privilégios assumida por uma burocracia universitária reacionária, que quer manter sua posição de controle do domínio político e ideológico, precarizando o espaço e as políticas de permanência e fazendo a manutenção cotidiana do racismo e da exclusão.
Agora que os estudantes reagem, a burocracia manifesta sua opção pela violência, movendo um processo de reintegração de posse sem nem ao menos tentar dialogar, com a possibilidade de entrada da polícia no prédio da universidade, o que não acontece desde a ditadura militar. É evidente a perseguição direta aos estudantes que protagonizam essa resistência, especialmente ao movimento negro, que sofre a violência da instituição de forma dupla. Há ainda a tentativa de individualização dos responsáveis na ação movida na justiça, o que é um recurso para enfraquecer a força coletiva da mobilização, isolando estudantes para responsabilizá-los.
A PUC-SP quer sufocar o movimento para manter um modelo elitista, racista e mercantilizado de universidade, onde muitos são excluídos. Por isso seguiremos na luta, com solidariedade, resistência e organização coletiva, contra toda forma de repressão e exclusão. Toda nossa solidariedade às e aos estudantes em luta!
Organização Socialista Libertária
Maio de 2025
