Resistência no Baixo Tapajós: povos indígenas desafiam decreto do governo federal que beneficia gigante do agronegócio
Resistência no Baixo Tapajós: povos indígenas desafiam decreto do governo federal que beneficia gigante do agronegócio

Desde 22 de janeiro, povos indígenas do Baixo Tapajós ocupam o porto da Cargill em Santarém, no Pará, em protesto contra o Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Lula (PT), que abre caminho para a dragagem do rio Tapajós e para a privatização de hidrovias na região. A medida foi aprovada sem consulta às comunidades afetadas, e tem como objetivo atender interesses do agronegócio. Por causa da mobilização, o governo anunciou na última sexta-feira a suspensão do decreto, mas os indígenas seguem em luta pela revogação completa da medida.

A dragagem é uma obra hidroviária que aumenta a navegabilidade de rios a partir da retirada de sedimentos, o que afeta diretamente não só o curso da água, mas também a pesca, a fauna e a flora de todo o sistema da bacia. A obra no Tapajós põe em risco a vida econômica, cultural e alimentar dos povos que vivem em torno do rio. Estudos técnicos alertam para impactos como liberação de metais pesados e de sedimentos, o que pode comprometer a qualidade da água, contaminar peixes e outros organismos da cadeia alimentar, afetando as comunidades indígenas e ribeirinhas.

A Cargill é o maior conglomerado do agronegócio do mundo, com histórico de crimes ambientais e sociais no mundo inteiro, e particularmente na Amazônia. Relatório de 2024 da Repórter Brasil denuncia uma série de violações da empresa no país, como compras de grãos de fazendas que desmataram ilegalmente, que invadiram terras indígenas, além de relação com trabalho análogo à escravidão e violações trabalhistas.

O decreto assinado por Lula é mais uma prova do limite da estratégia democrático-popular encabeçada pelo PT, que não se mostra capaz de apontar para uma superação do papel do Brasil de mero capacho do imperialismo. Ao mesmo tempo que o governo discursa sobre soberania nacional e defesa do meio ambiente, privatiza a natureza para que ela sirva de corredor logístico para escoar commodities baratas que não geram riqueza nem desenvolvimento para a classe trabalhadora, e contribuem para aprofundar a destruição ecológica e a violação de direitos dos povos locais.

A luta dos indígenas do Baixo Tapajós mostra mais uma vez a necessidade da ação direta para barrar os projetos de destruição do capital e do Estado, sem confiança nos acordos de gabinete. É na luta independente de governos que se encontra a possibilidade do acúmulo de força social para a construção de um poder popular autogestionário capaz de botar em xeque o sistema de dominação capitalista. Nos solidarizamos à resistência indígena na proteção dos territórios comuns!

Organização Socialista Libertária
Fevereiro de 2026

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