Toda solidariedade à luta estudantil na UERJ!
Na semana passada, no Rio de Janeiro, a ocupação estudantil da UERJ, no campus Maracanã, passou por um violento processo de reintegração de posse, que resultou na prisão de diversos estudantes e do parlamentar Glauber Braga, do PSOL. A ocupação denunciava os cortes na política de assistência estudantil, que afeta principalmente estudantes mais precarizados/as. A ação covarde da polícia militar, a serviço da reitora Gulnar Azevedo (ligada ao PT) e de seu vice Bruno Desdará (anteriormente filiado ao PSOL), tiveram apoio explícito do governador Cláudio Castro (PL) e exemplificam a forma com que a educação pública estadual é tratada no Rio de Janeiro e, também, em várias outras regiões do Brasil, em âmbito municipal, estadual e federal, seja reprimindo e criminalizando as lutas travadas pelos trabalhadores e trabalhadoras da educação, ou as travadas pelo movimento estudantil. Lamentáveis foram as posições dos setores políticos de “esquerda” alinhados ao governo federal, que buscaram criminalizar os/as estudantes em sua luta. Além de defender uma reitoria alinhada ao governo Cláudio Castro e que utiliza do expediente do batalhão de choque para tentar calar a luta pela manutenção do auxílio estudantil.
Os estudantes da UERJ em seus diferentes campi apontaram o caminho para derrotar as políticas de corte na assistência estudantil: a luta sem trégua, a mobilização e os métodos históricos da classe trabalhadora. A greve, os piquetes e as ocupações são métodos que tiveram grande força em vários momentos de enfrentamento ao avanço do REUNI – Programa de Restruturação e Expansão das Universidades Federais – e outras políticas neoliberais que foram se agravando desde a virada do governo de FHC para o primeiro governo de Lula; as universidades estaduais e federais tiveram massivas greves estudantis, ocupações de reitorias e marchas.
Retomar a radicalidade do movimento estudantil é de grande importância para garantir real acesso, permanência e pesquisas que possam servir à população trabalhadora. É necessário combater as políticas neoliberais que se enraízam nas universidades através da burocracia universitária. A reorganização estudantil, com linha classista, autônoma e combativa, tem um papel a cumprir, principalmente quando caminha junto aos movimentos populares de trabalhadores do campo e da cidade.
É fundamental que todos os movimentos populares, sindicatos e organizações políticas denunciem esse tipo de política e se coloquem em solidariedade aos estudantes da UERJ. Uma luta que não terminou com a reintegração de posse e a violenta repressão dos últimos dias. As e os estudantes seguem mobilizados e realizam mais um ato nesta quarta-feira, dia 02. Exigir a imediata revogação das medidas administrativas que atacam os direitos estudantis, e qualquer outra política de punição que possa ocorrer contra os que ousaram se organizar e lutar, é tarefa urgente em defesa da educação pública e de qualidade.
Protestar não é crime!
Organização Socialista Libertária
02 de Outubro de 2024