Todo apoio à administração autônoma de Rojava! Em defesa da autodeterminação dos povos
Desde o início de janeiro, os territórios curdos no norte da Síria, conhecidos como Rojava – que incluem árabes, assírios, turcomanos e armênios – enfrentam uma escalada militar. Em 6 de janeiro, tropas e milícias ligadas ao governo de transição sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa (al-Jolani), ex-membro da Al-Qaeda, atacaram bairros em Aleppo (Sheikh Maqsood, Ashrafiye e Beni Zeyd) e, dias depois, essa ofensiva se espalhou por toda Rojava, resultando em um cerco violento no norte da Síria. Um cessar-fogo anunciado em 18 de janeiro não foi respeitado, com ataques intensificados em Haseke e Kobane, e relatos de massacres de civis.
Os Estados Unidos, que antes apoiavam as Forças Democráticas Sírias (FDS) na luta contra o Estado Islâmico, retiraram seu apoio, uma mudança que se consolidou sob a presidência de Donald Trump. As consequências da ofensiva são graves: mais de 100 mil civis foram deslocados, territórios estratégicos foram capturados pelas forças governamentais sírias, e aproximadamente 1.500 integrantes do Estado Islâmico fugiram de uma prisão em Shaddadi, antes controlada pelas FDS.
Esse ataque contra Rojava não é um evento isolado, mas parte de uma nova estratégia regional do imperialismo estadunidense. Em 5 e 6 de janeiro, em Paris, os governos da Síria e de Israel – adversários históricos -, com supervisão dos EUA, concordaram em um mecanismo de comunicação conjunta, consolidando uma aliança contra o povo curdo. A presença do ministro de Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, em Paris, indica o envolvimento turco, assim como a visita a Damasco da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometendo apoio político ao regime de al-Sharaa (HTS), demonstra o envolvimento das potências europeias.
É importante compreender que os diversos atores têm objetivos estratégicos distintos, mas convergem na supressão da autonomia curda. Por um lado, a Turquia busca impedir qualquer movimento separatista do povo curdo, que vê como ameaça à sua segurança nacional, para além do fato de que o governo de Erdogan possui relações políticas e ideológicas com Ahmed al-Sharaa. Por outro lado, Israel busca utilizar o novo regime sírio como contrapeso ao Irã, bem como obter uma conivência para com seu regime de apartheid contra a população palestina. Nesse cenário, os EUA e os países europeus estão tentando mediar negociações entre Damasco, Ancara e Tel Aviv, sugerindo que a supressão da autonomia curda é um ponto de convergência para múltiplos interesses estatais e capitalistas.
O ataque a Rojava significa um retrocesso profundo dos direitos conquistados pelas mulheres na região e nos direitos sociais e políticos das etnias que vivem nesse território. O ataque do governo de Abu Mohammad al-Julani a esses territórios significa o avanço para uma possível ditadura salafista e a destruição de perspectivas federalistas na região.
Nós, da Organização Socialista Libertária, nos unimos no apoio à autodeterminação do povo curdo, denunciando a geopolítica dos Estados nacionais e das potências imperialistas.
Organização Socialista Libertária
Janeiro de 2026