62 anos do golpe. Ditadura nunca mais!
O golpe de 1964 completou 62 anos neste primeiro de abril, e manter viva a memória do que foi a ditadura militar é essencial para entender a realidade e buscar organizar a resistência. Em 2026, repudiar o golpismo deve ir muito além de um discurso com fins eleitorais: é um compromisso essencial para uma verdadeira soberania popular, socialista e libertária.
Apoiado pelas classes dominantes brasileiras e pelo imperialismo estadunidense, o regime militar no Brasil dissolveu partidos, promoveu censura, desaparecimentos, tortura, estupros, aprofundou o abismo social e reprimiu as crescentes mobilizações de classe, na cidade e no campo. O regime militar aumentou o poder dos latifundiários, da burguesia industrial e financeira, assim como fortaleceu a dominação do imperialismo dos EUA sobre nosso país. A concentração fundiária, industrial e bancária atingiu índices estratosféricos e o custo de vida aumentou consideravelmente, precarizando o poder de compra dos trabalhadores.
A resistência à ditadura foi perseguida, e muitos foram torturados e mortos. Além das 434 vítimas reconhecidas pelo Estado Brasileiro, estima-se que a ditadura tenha assassinado 1.654 camponeses e mais de 8 mil indígenas, além das vítimas dos esquadrões da morte nas periferias das cidades.
Tutelada pelos militares, com anuência das classes dominantes, a abertura democrática acabou anistiando golpistas e torturadores e manteve intacto o privilégio das forças armadas. A Nova República era fundada sob um novo pacto, contendo a radicalização das classes oprimidas. A estrutura brutal e racista da polícia militar foi preservada, fomentando práticas paramilitares e de grupos de extermínio controlados por militares e policiais. A aventura colonialista e sub-imperialista dos militares brasileiros no Haiti fomentou o imaginário golpista das forças armadas, enquanto promovia o massacre contra o povo haitiano. A eleição de Bolsonaro, em 2018, e a tentativa golpista entre o fim de 2022 e o início de 2023 são frutos da impunidade aos militares, somadas ao contexto de ascensão da extrema-direita internacional, em sintonia com a dinâmica dos interesses do sistema capitalista-estatista.
Em uma estrutura que manteve os privilégios das classes dominantes, confiar na judicialidade e governabilidade burguesas é um grave erro cometido pelas grandes organizações e movimentos sociais de esquerda.
Lembrar o golpe de 1964 e a resistência popular e armada ao regime é manter viva a chama da resistência e luta, a defesa dos direitos fundamentais das classes oprimidas e a possibilidade de avanço para o poder popular autogestionário. Para isso, é necessário atuação militante cotidiana e combativa, comprometida com a classe trabalhadora e independente de governos e patrões.
NEM ESQUECIMENTO, NEM PERDÃO!
LEMBRAR PARA NÃO REPETIR!
PELA REVOLUÇÃO SOCIAL E O SOCIALISMO LIBERTÁRIO!
Organização Socialista Libertária
Abril de 2026