Tragédia no Rio Grande do Sul: uma catástrofe capitalista
A população do Rio Grande do Sul sofreu a maior catástrofe natural da história do estado com as chuvas que caíram no início de maio, que fizeram subir o nível dos rios e deixou várias regiões debaixo d’água. Até o fechamento desta edição, mais de 600 mil pessoas ficaram desalojadas e 169 pessoas morreram, além de mais de 40 pessoas desaparecidas. As enchentes destruíram casas e a infraestrutura de diversas regiões, e as inundações devem durar semanas. Não se sabe quando a vida voltará ao normal em quase todo o estado.
A tragédia não se trata apenas de uma fatalidade provocada pelo mau tempo. Uma pesquisa publicada em 2015 já alertava para a possibilidade de chuvas mais intensas no Sul do Brasil, e para a necessidade de adaptações para a mudança do clima. Estudos como esse foram simplesmente ignorados pelos governos, e pior: em 2019, o governo de Eduardo Leite (PSDB) propôs a mudança de quase 500 pontos da legislação de proteção ambiental estadual, o que certamente agravou o problema, e demonstra como o Estado é sócio da ganância capitalista que destrói a Natureza a qualquer custo para multiplicar seus lucros.
Ao individualismo dos ricos e políticos, a população responde com solidariedade. Trabalhadores de todo o país vêm se engajando em campanhas de doação e apoio às famílias afetadas pela tragédia, demonstrando que o povo tem condição de tomar para si mesmo a condução de sua vida. É preciso ir além das ações solidárias, e apontar para as verdadeiras causas dessa tragédia: o sistema estatista-capitalista, que busca o crescimento econômico desenfreado, às custas da superexploração do trabalho e da natureza.
Os eventos climáticos extremos como o visto no Rio Grande do Sul não são mais casos excepcionais, e tendem a se tornar cada vez mais constantes se nada for feito para combater esse sistema. É urgente dar um basta a esse estado de coisas e construir uma sociedade socialista e libertária, verdadeiramente ecológica, que respeite todas as formas de vida.
Texto originalmente publicado no Libera 179 (out de 2023).