José Martinez e o 9 de Julho Operário

Como a morte de um sapateiro anarquista pela polícia foi o estopim para a maior greve geral da história do país

O sapateiro Martinez tinha apenas 21 anos, era de origem espanhola, e ligado às organizações sindicalistas revolucionárias da época, estratégia anarquista para o movimento popular daquele momento. Naquele 9 de julho, ele participava de um protesto na porta da fábrica Mariângela, no bairro do Brás, em São Paulo, quando o ato foi atacado pela cavalaria da polícia. O trabalhador foi atingido com um tiro no estômago, levado para a Santa Casa, mas não resistiu. Em 11 de julho acontecia seu funeral, no Cemitério do Araçá, que havia sido convocado na véspera pelos jornais operários como uma grande manifestação.

“O sapateiro Martinez tinha apenas 21 anos, era de origem espanhola, e ligado às organizações sindicalistas revolucionárias da época, estratégia anarquista para o movimento popular daquele momento. Naquele 9 de julho, ele participava de um protesto na porta da fábrica Mariângela, no bairro do Brás, em São Paulo, quando o ato foi atacado pela cavalaria da polícia. O trabalhador foi atingido com um tiro no estômago, levado para a Santa Casa, mas não resistiu. Em 11 de julho acontecia seu funeral, no Cemitério do Araçá, que havia sido convocado na véspera pelos jornais operários como uma grande manifestação.” – Jornal A Plebe

Iniciada por mulheres trabalhadoras, como as tecelãs, a greve se espalhou rapidamente por toda a cidade, e estima-se que chegou a ter a adesão de 100 mil trabalhadores, em um processo que colocou de joelhos as classes dominantes.

“​A falange obreira começou a abandonar a insensível labuta e a sair para a rua na terça-feira, por ocasião do enterro do desditoso Martinez. Três dias depois ninguém trabalhava, ficando a cidade quase inteiramente à mercê do operariado.” – Jornal A Plebe

O próprio jornal A Plebe, dirigido pelo anarquista Edgard Leuenroth, deixou de circular na data prevista, tanto pelo envolvimento da equipe na mobilização, como pela adesão dos gráficos à greve geral.

“Em vários pontos da cidade travaram-se, como é sabido, verdadeiras batalhas entre o povo e a força armada. Foram tiroteios incessantes, que os grevistas heroicamente sustentaram forçando a debandar, em completa desordem, numerosos contingentes da força pública. A cavalaria, sobretudo, teve o seu quinhão.

​No Bom Retiro e Ponte Pequena os grevistas formaram verdadeiras barricadas de onde alvejavam, num fogo certeiro e vivo, os inconscientes e militarizados defensores do Estado e do capitalismo, princípio e causa da sua própria desgraça e da desgraça daqueles que são os seus irmãos de sofrimento e miséria.” – Jornal A Plebe

A greve geral foi encerrada em 16 de julho, depois de obter compromissos como aumento salarial, redução do preço dos alimentos, e medidas para impedir o trabalho de crianças e o trabalho noturno das mulheres. A mobilização em São Paulo, somada à força do sindicalismo revolucionário no país e às notícias da Revolução de Fevereiro, na Rússia, influenciou grandes greves e processos insurrecionais em outros estados, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.