Sindicalismo revolucionário e cooperativismo na Catalunha
Na segunda quinzena de agosto, o Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP) recebeu na cidade do no Rio de Janeiro a companheira Elena, vinculada à Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma importante e histórica organização anarcossindicalista da Catalunha. Neste encontro, a companheira apresentou a relação do anarcossindicalismo catalão com a estratégia cooperativista. Historicamente, o sindicalismo revolucionário e o anarcossindicalismo desenvolveram uma estratégia que compreendia o papel do sindicato não só como um organismo de defesa de direitos, mas também como o “embrião” de uma nova sociedade. A partir disso, o anarquismo catalão criou diversas ferramentas que buscavam defender direitos trabalhistas, formar caixas de solidariedade, fundar cooperativas de consumo/produção e manter instituições educativas/de formação da classe (escolas modernas, ateneus, teatros etc.), almejando a ruptura com o sistema capitalista. A CGT tenta recuperar esse legado histórico do anarcossindicalismo espanhol e atualizá-lo para as lutas sociais contemporâneas.
Desde 2018, a CGT da Catalunha é a organização sindical que mais mobiliza e convoca greves, com conquistas expressivas na melhoria das condições de trabalho. A CGT compreende que a autogestão sempre foi um dos pilares da ação revolucionária da classe trabalhadora e que o cooperativismo teve um papel importante na luta social espanhola. Na década de 1970 a autogestão e o cooperativismo catalão (cooperativas de habitação, cultura, alimentação etc.), foram tocados principalmente em áreas fora das lutas do mundo do trabalho, perdendo a força que tinham antes da ditadura franquista.
Em alguns casos, muitas “cooperativas” possuem práticas de exploração similares a qualquer empresa capitalista, podendo até acentuá-las. Com isso em mente, a CGT decidiu se relacionar com diferentes estruturas do movimento cooperativista catalão, criando ferramentas para melhorar as condições de trabalho nas cooperativas, pressionando e denunciando cooperativas que violam direitos trabalhistas. E também identificar empresas ou áreas onde a CGT possui presença significativa e com risco de falência/fechamento, criando novas cooperativas com a intenção de melhorar as condições de trabalho.
Certamente, a realidade do cooperativismo e do sindicalismo catalão não são iguais à realidade brasileira, mas a ação sindical e cooperativista da CGT Catalunha pode servir de parâmetro para pensarmos e refletirmos sobre nossa própria realidade.
Texto originalmente publicado no Libera 181 (set-dez de 2024).